Dinheiro
06/03/2008 - 17h51

Depois de ano recorde, fluxo de capital privado no Brasil vai cair em 2008

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CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

Depois de atrair um fluxo recorde de capital privado em 2007, o Brasil terá fluxo um pouco menor esse ano, de acordo com o IIF (Instituto Internacional de Finanças). A projeção do órgão é que o fluxo para o Brasil ficará em US$ 70,5 bilhões ao longo de 2008, 11,3% a menos do que os US$ 79,5 bilhões constatados em 2007.

O volume de 2007, que foi recorde, superou em 529% os US$ 11,2 bilhões de 2006. De acordo com o economista-chefe do IIF, Yusuke Horiguchi, a base forte de comparação de 2007 justifica o resultado previsto para esse ano, além da apreciação do real frente ao dólar. Segundo ele, o fluxo de capital privado no mercado brasileiro em 2007 foi "excepcional".

"O resultado recorde de 2007 foi baseado, em boa parte, no lançamento de ações e títulos, que não devem se repetir, pelo menos nos primeiros dois meses de 2008. Foi um ano excepcional para o mercado brasileiro", afirmou.

O presidente do Banco Itaú, Roberto Setúbal, ressaltou que o Brasil está menos vulnerável à falta de fluxo de capitais. Ele lembrou que o país vive uma situação diferente, com conta corrente positiva e reservas mais altas.

"O Brasil tem ainda políticas macroeconômica, fiscal e monetária que funcionam. Essa é a diferença básica", exemplificou.

O IIF estima ainda que os países emergentes deverão atrair US$ 731 bilhões de capital privado em 2008, 6,5% abaixo dos US$ 782 bilhões registrados em 2007. Mesmo assim, o vice-chairman do IIF, Francisco Gonzalez, do banco BBVA, afirmou que os países emergentes continuarão seguindo para o centro da economia mundial.

Os investimentos estrangeiros diretos nos países emergentes somarão US$ 286 bilhões em 2008, segundo a projeção do IIF. No ano passado, esse volume ficou em US$ 256 bilhões.

Gonzalez acrescentou que, apesar da previsão de desaquecimento para os tradicionais mercados, os países emergentes serão um dos protagonistas do crescimento global econômico. O IIF estima que os emergentes terão expansão de 6,6% em média, este ano. No ano passado, a estimativa é que essas economias tenham crescido 7,3%, em média.

Somente a América Latina terá um crescimento médio de 4,4% em 2008, ante 5,3% estimados para o ano passado, segundo o IIF. Os investimentos estrangeiros na América Latina irão se manter estáveis, em US$ 55 bilhões.

O IIF prevê ainda que as economias dos países desenvolvidos crescerão 1,8% em 2008, pouco abaixo dos 2,3% projetados para 2007.

 

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