América Latina apresenta cenário mais favorável de sua história recente, diz IIF
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
A América Latina apresenta o cenário mais favorável de sua história recente, afirmou nesta quinta-feira o vice-presidente do IIF (Instituto Internacional de Finanças), Francisco Gonzalez. Na visão do executivo, que comanda o banco BBVA, as preocupações com crises externas, constantes na década passada, não são tão expressivas atualmente.
A opinião de Gonzalez é compartilhada pela cúpula do IIF, que concedeu entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira, no hotel Copacabana Palace, no Rio. Para William Rhodes, primeiro vice-presidente do IIF e presidente do Citibank, a América Latina apresenta um cenário de "muita solidez" e vive um momento de alta no investimento e no comércio. A região, segundo ele, está menos vulnerável à crise externa.
"Os países da América Latina estão em posição melhor para absorver esse tipo de situação [a crise externa]. Claro que poderá haver algum impacto, mas ele será menor", observou.
Analisando especificamente o Brasil, Rhodes atribuiu o bom momento ao acúmulo de reservas e o fortalecimento do sistema bancário, além de políticas macroeconômicas bem-sucedidas.
Para Gonzalez, uma possível ameaça às economias de alguns países latino americanos, como Brasil, Chile e Peru, seria a redução dos preços da commodities.
"Esses países se valeram das exportações desses produtos, que subiram bastante no último ano. Os preços da commodities não permanecerão altos indefinidamente. Isso não quer dizer que cairão", afirmou.
Sobre o conflito diplomático entre Colômbia, Equador e Venezuela, o presidente do banco Itaú, Roberto Setúbal, disse que é uma questão local, e que não deverá afetar outros mercados da América Latina, como o Brasil e o México.
Rhodes avaliou que a crise nos Estados Unidos ainda não terminou. Segundo ele, ainda há uma preocupação muito grande com a situação da economia americana. Para ele, os efeitos da crise sobre outros mercados poderão aparecer em um período futuro. Lembrou ainda que a questão geopolítica deverá continuar pressionando o preço do petróleo.
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