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Dinheiro
10/03/2008 - 16h09

Petróleo fecha em novo recorde após ultrapassar os US$ 108 em NY

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VINICIUS ALBUQUERQUE
da Folha Online

O preço do petróleo atingiu novo recorde nesta segunda-feira, ao ultrapassar a barreira dos US$ 107 em Nova York e ficando cada vez mais próximo de US$ 108, valor que o barril chegou a atingir durante a sessão. Os temores de uma recessão nos EUA fazem o dólar perder terreno frente ao euro, o que torna o barril mais acessível e pressiona a demanda pela commodity.

O barril do petróleo cru para entrega em abril, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, fechou cotado a US$ 107,90, cedendo um pouco após atingir o recorde de US$ 108,21. No dia, o valor mínimo atingido pelo barril foi de US$ 104,08.

Além do preço do dólar, os investidores também correm à procura de commodities como forma de se protegerem contra o avanço da inflação; isso, no entanto, pressiona a demanda e acaba elevando ainda mais os preços das commodities --o que causa reflexos nos índices de inflação. "O que se vê nos últimos meses é uma força tremenda em uma série de commodities, o que acaba por fazer com que elas contribuam para pressionar a inflação e erodir salários e lucros", disse à agência de notícias Reuters o analista Michael Saunders, do Citigroup.

"Se fosse só o petróleo, seria mais controlável, mas não é (...) O que se vê agora é muito mais amplo e, portanto, muito mais abrangente", afirmou.

Soma-se a isso o fato que, na semana passada, o Departamento de Energia informou que as reservas de petróleo nos Estados Unidos caíram em 3,1 milhões de barris, ficando em 305,4 milhões. Além disso, a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) decidiu manter sua cota oficial de produção em 29,67 milhões de barris diários.

O presidente da Opep, Chakib Khelil, disse hoje, segundo a Reuters, que a tensão política e a especulação devem manter a cotação do petróleo em três dígitos ao longo deste ano.

O cartel alega justamente que a especulação é o que está fazendo o preço do petróleo subir. Segundo Khelil, os preços podem cair em 2009, com uma recuperação na economia americana e uma valorização do dólar, após a eleição presidencial deste ano.

EUA

O temor de uma recessão nos EUA, com a divulgação de índices econômicos que evidenciam a desaceleração da economia americana, tem levado os investidores a esperar que o Federal Reserve (Fed, o BC americano) mantenha sua tendência de redução de sua taxa de juros.

Para a próxima reunião do Fed, a expectativa é de um corte de ao menos 0,75 ponto percentual na taxa de juros do banco --hoje em desaceleração da economia americana.

A expectativa pelo corte aumentou depois que o Departamento do Trabalho divulgou na semana passada que a economia dos EUA fechou 63 mil postos de trabalho em fevereiro, depois de já ter fechado 22 mil em janeiro (dado revisado).

Cortes de juros são o modo com que o Fed procura evitar que a recessão atinja a economia dos EUA: com juros menores, o crédito fica mais barato e estimula as pessoas a gastarem, colocando a economia em movimento. Taxas menores de juros, no entanto, afetam o câmbio, ao provocar a saída de recursos para mercados onde os retornos com juros sejam mais atrativos.

Gasolina

O preço médio do galão (3,785 litros) de gasolina nos EUA deve atingir recorde nesta terça-feira e mesmo passar da marca de US$ 4 em algumas regiões do país, informou nesta segunda-feira a AAA (Associação Americana do Automóvel, na sigla em inglês).

Com o barril do petróleo quase no terreno dos US$ 108, o preço deve superar amanhã o atual recorde do galão de gasolina, US$ 3,227, segundo o analista de preços da AAA, Geoff Sundstrom. "Eu digo que vamos atingir um novo recorde amanhã (...) Principalmente devido ao preço do petróleo."

O preço da gasolina tem atingido uma série de picos desde que a passagem de furacões --principalmente o Katrina-- pelo sul dos EUA e pela região do golfo do México causou destruição em refinarias, prejudicando a produção de combustível.

Com a crise de crédito no país, que já começa a causar efeitos na economia real, o consumo de combustível deve cair. "Acreditamos que a economia americana está vendo uma erosão na demanda por gasolina que vem se arrastando desde a temporada de feriados de fim de ano", disse Sundstrom.

 

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