Bolsas européias fecham em baixa com temor sobre inflação e crise
da Folha Online
As Bolsas européias fecharam em baixa nesta segunda-feira. As preocupações dos investidores quanto à economia dos EUA fez com que as ações das empresas ligadas ao setor de commodities caíram. A alta nos preços do petróleo fez com que os temores sobre a pressão da inflação também ganhassem o primeiro plano.
A Bolsa de Londres fechou em queda de 1,24%, com 5.629,10 pontos; a Bolsa de Paris caiu 1,13%, para 4.566,99 pontos; a Bolsa de Frankfurt teve baixa de 1,01%, ficando com 6.448,08 pontos; a Bolsa de Amsterdã caiu 1,64%, para 427,96 pontos; a Bolsa de Milão perdeu 1,26%, recuando para 24.363 pontos; e a Bolsa de Zurique teve perda de 1,66%, encerrando o dia com 7.055,01 pontos.
Entre as ações de empresas mais ligadas ao commodities, as que mais caíram foram as da mineradora BHP Billiton, com perda de 5,9%. As da Rio Tinto também caíram (-6%), além das da Antofagasta (-7,4%). Os preços do cobre para entrega em três meses tiveram uma queda de 3,2% em Londres --queda que foi seguida também pelos preços do níquel, zinco e chumbo.
Entre os bancos, caíram as ações do UBS (-4%) e do Deutsche Bank (-2,3%).
Os temores quanto à inflação ganharam força depois que o petróleo bateu uma série de recordes: o barril chegou a US$ 107, pela primeira vez na Bolsa Mercantil de Nova York; logo depois chegou a um novo recorde, US$ 107,85; continuou subindo e cravou a marca de US$ 108,21, recuando logo depois para fechar em US$ 107,90 (recorde para um fechamento).
Os temores de uma recessão nos EUA fazem o dólar perder terreno frente ao euro, o que torna o barril mais acessível e pressiona a demanda pela commodity. Além disso, os investidores também correm à procura de commodities como forma de se protegerem contra o avanço da inflação --o que, no entanto, pressiona a demanda e acaba elevando ainda mais os preços das commodities, causando reflexos nos índices de inflação.
Nos EUA, a preocupação com o rumo da economia --que pode estar a caminho de uma recessão-- aumentou depois que o Departamento do Trabalho informou na sexta que a economia americana fechou 63 mil postos de trabalho no mês passado e revisou para cima o dado de janeiro --de perda de 17 mil para 22 mil empregos.
O Federal Reserve (Fed, o BC americano) deve se reunir no próximo dia 18. O banco efetuou cinco cortes em sua taxa de juros entre setembro do ano passado e janeiro deste ano; a taxa de juros nesse período recuou de 5,25% para 3% ao ano. A expectativa para a próxima semana é de um novo corte --as previsões são de uma redução de no mínimo 0,75 ponto percentual.
A política do Fed de cortar juros faz parte das iniciativas para evitar que a economia americana caia em recessão. O presidente americano, George W. Bush, disse na sexta que a economia americana desacelerou e pediu que os contribuintes gastem --não guardem em poupanças, ou invistam, ou mesmo paguem dívidas-- os cheques de restituição que deverão receber em alguns meses, dentro do pacote de estímulo sancionado no mês passado.
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