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Dinheiro
10/03/2008 - 18h19

Bolsas em NY fecham em queda de mais de 1% com temor sobre crédito

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da Folha Online

As Bolsas dos Estados Unidos fecharam em forte baixa nesta segunda-feira em um dia em que o preço do petróleo se aproximou dos US$ 108 e uma série de más notícias alimentaram os temores de contração do mercado de crédito e uma limitação da liquidez.

O Dow Jones Industrial Average (DJIA) caiu 1,29%, situando-se em 11.740,15 pontos, o nível mais baixo desde 3 de outubro de 2006, enquanto que o índice tecnológico Nasdaq cedeu 1,95% a 2.169,34 pontos. O S&P 500 registrou queda de 1,55%, para 1.273,37.

O preço do petróleo atingiu novo recorde nesta segunda-feira, ao fechar próximo dos US$ 108 --valor que chegou a superar durante a sessão-- em Nova York. Os temores de uma recessão nos EUA fazem o dólar perder terreno frente ao euro, o que torna o barril mais acessível e pressiona a demanda pela commodity.

Após atingir US$ 108,21, o barril do petróleo cru para entrega em abril, negociado na Nymex (Bolsa Mercantil de Nova York, na sigla em inglês), fechou cotado a US$ 107,90.

O resultado da Bolsa em NY foi arrastado para o campo negativo pelos papéis do setor financeiro, que em seu conjunto caíram 2,8%, com a preocupação dos investidores quanto à situação do mercado de crédito e os temores de uma recessão nos EUA.

As ações dos bancos caíram 2,67%, as de seguradoras, 1,35%, as das empresas de serviços financeiros, 3,85%, e das companhias hipotecárias, 11,22%. As ações da seguradora Ambac Financial recuaram 23,26%, ainda que na sexta-feira tenha anunciado a captação de US$ 1,5 bilhão com a venda de ações. Os papéis da Countrywide Financial declinaram 14% depois que o FBI (polícia federal dos EUA) abriu investigação por possível fraude.

As declarações de Jean-Claude Trichet, presidente do BCE (Banco Central Europeu), também colaboraram para aumentar a tensão no mercado nesta segunda-feira. Ele manifestou preocupação com "os movimentos excessivos das taxas de câmbio" e que a economia mundial continua crescendo apesar de "certo nível" de desaceleração após a crise dos créditos hipotecários de risco ("subprime").

Trichet depositou nos países emergentes a esperança de evitar que a desaceleração da economia dos EUA afete a economia mundial. Segundo ele, o robusto crescimento econômico dos países emergentes é algo de grande importância do ponto de vista da conjuntura mundial.

Entre as notícias corporativas que ajudaram a afundar os mercados está o resultado da administradora de fundos Blackstone Group, que abriu seu capital em junho e apresentou uma perda de US$ 170 milhões no quarto trimestre do ano passado, contra um lucro de US$ 1,18 bilhão no mesmo trimestre de 2006.

As perdas ocorreram em parte devido aos investimentos que possuía na seguradora de crédito FGIC (Financial Guaranty Insurance Company), além da situação crítica do setor financeiro, com crise dos créditos de risco.

Indicadores

Nesta semana, os investidores aguardam a divulgação de indicadores importantes sobre gastos do consumidor e inflação --e esperam que mostrem desempenho melhor do que o indicador de criação de empregos referente a fevereiro: o Departamento do Trabalho informou na sexta que a economia americana fechou 63 mil postos de trabalho no mês passado e revisou para cima o dado de janeiro --de perda de 17 mil para 22 mil empregos.

O Federal Reserve (Fed, o BC americano) deve se reunir no próximo dia 18. O banco efetuou cinco cortes em sua taxa de juros entre setembro do ano passado e janeiro deste ano; a taxa de juros nesse período recuou de 5,25% para 3% ao ano. A expectativa para a próxima semana é de um novo corte --as previsões são de uma redução de no mínimo 0,75 ponto percentual.

Com agências internacionais.

 

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