Eletrobrás avalia emissão de novas ações a investidores minoritários
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
O novo presidente da Eletrobrás, José Antônio Muniz, disse nesta segunda-feira que a empresa vaia avaliar a possibilidade de emissão de novas ações a investidores minoritários para elevar o caixa da empresa. Muniz não informou detalhes do plano, mas afirmou que vai apresentar um plano de trabalho que incluirá a questão na próxima reunião do Conselho de Administração, marcada para maio.
"Ainda não sei [sobre quanto do capital seria aberto], estou chegando agora. Já tenho estudos desenvolvidos internamente, mas deveremos passar todosm os estudos com consultorias especializadas, para poder então, levar à frente", afirmou, após cerimônia de posse realizada na ACRJ (Associação Comercial do Rio de Janeiro).
Para Muniz, a Eletrobrás tem condição de liquidez bastante elevada. O que atrapalha a empresa, explicou, são "amarras" que, segundo ele, fazem com que a empresa venha perdendo valor de mercado. Entre essas amarras, está a obrigatoriedade de a Eletrobrás ser submetida à Lei 8.666, que rege as licitações. Por isso, ressaltou a importância da MP 396, que será votada amanhã no Senado, que permite que a Eletrobrás tenha controle em sociedades com empresas privadas.
"Tem essa MP que será votada amanhã que tira uma porção de amarras. Mas o principal é vamos redefinir o papel da gestão da corporação. A questão do papel da holding, da aplicação de mecanismos que dão mais flexibilidade, tipo um regimento próprio de licitação, e não meramente a aplicação da lei 8.666, que limita muito. Então, vamos ter uma empresa renovada com esses instrumentos que esperamos que sejam consolidadas o mais breve possível", destacou.
Muniz descartou ainda a privatização das distribuidoras do Norte e do Nordeste que não foram passadas ao capital privado ou foram devolvidas, e que em sua maior parte, dão prejuízos ao governo.
"As distribuidoras federalizadas não serão vendidas. Vamos fazer como a Cemar (Companhia Energética do Maranhão). Ela foi privatizada e depois devolvida ao governo. Foi feita a intervenção e hoje está em ótima situação. Temos, como governo, condições de recuperar essas empresas. Em síntese: Não venderemos nenhuma das federalizadas", afirmou.
Em concorida cerimônia de posse, Muniz agradeceu a seu padrinho político, o senador José Sarney (PMDB-AP), pela "solidariedade em todas as horas". Destacou também o apoio do PMDB às sua indicação junto ao presidente Lula.
O ministro Edison Lobão (Minas e Energia), por sua vez, disse que indicação política nunca foi incompatível com boa gestão e ressaltou que Muniz e os novos diretores da Eletrobrás são técnicos do setor.
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