BC dos EUA anuncia plano de ajuda emergencial para conter crise; Bovespa sobe 2%
da Folha Online
Após a derrocada dos mercados acionários no mundo ontem, que temem a cada dia mais uma recessão nos EUA, o Fed (Federal Reserve, o BC americano), aliado a outros bancos centrais, anunciou nesta terça-feira medidas para ajudar a conter a crise de crédito e colocar bilhões de dólares em circulação. Assim, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) sobe mais de 2%, mesma tendência verificada nos Estados Unidos e na Europa.
O Fed anunciou uma ajuda de US$ 200 bilhões em dinheiro para instituições financeiras em dificuldade. Na segunda-feira, uma onda de rumores sobre problemas com bancos naquele país arrastou as Bolsas, e grandes executivos tiveram que vir a público para desmentir boatos de insolvência.
A iniciativa do Fed "pretende promover a liquidez nos mercados de crédito (...) e estimular o funcionamento dos mercados financeiros em geral", diz em nota o banco central. O dinheiro será emprestado às instituições com um prazo de vencimento de 28 dias. "Pressões em alguns desses mercados aumentaram mais uma vez recentemente", informou o Fed em comunicado. "Todos nós continuamos a trabalhar em conjunto e tomaremos as medidas apropriadas para lidar com as pressões sobre a liquidez."
Os outros bancos centrais que atuaram com o Fed são o Banco do Canadá, o Banco da Inglaterra, o BCE (Banco central Europeu) e o Banco Nacional da Suíça.
Assim, às 11h15, o Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa brasileira, subia 2,12%, aos 61.269 pontos. O volume financeiro era de R$ 936 milhões. Já o dólar comercial era cotado a R$ 1,694 para venda, em baixa de 0,70%.
No mesmo horário (em Brasília), a Bolsa de Valores de Nova York operava em alta de 2,21%, com 11.986,68 pontos no índice Dow Jones Industrial Average (DJIA), enquanto o S&P 500 subia 2,13%, para 1.299,99 pontos. A Bolsa Nasdaq tinha alta de 2,06%, indo para 2.214,10 pontos.
Na Europa, a alta, que era impulsionada pelas ações das empresas petrolíferas e dos bancos na abertura, ganhou mais força. Em Paris, Londres e Frankfurt todas as Bolsas operam acima de 2%.
Recessão
Desde o final da semana passada o mercado financeiro vem numa crescente tensão sobre a economia americana. Na sexta-feira, o Departamento de Trabalho dos EUA atestou as piores expectativas dos economistas e informou perdas líquidas (fechamento contra aberturas) de 63 mil postos de trabalho em fevereiro, ante outras 22 mil vagas fechadas em janeiro (número revisado).
No mesmo dia, o chefe dos conselheiros econômicos da Casa Branca, Edward Lazear, disse que o PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA pode registrar um resultado negativo já no primeiro trimestre deste ano. No quarto trimestre do ano passado, a economia americana registrou uma expansão de apenas 0,6%, forte retração em relação ao terceiro trimestre, quando a economia cresceu 4,9%.
O baque serviu para reforçar a corrente de economistas que considera o país mais rico em plena recessão. Sem consenso a respeito, analistas do setor financeiro discutem qual deve ser a extensão da crise e se os recentes cortes de juros promovidos pelo Federal Reserve terão eficácia já no segundo semestre.
Diante desse cenário, o mercado financeiro foi tomado por rumores de uma nova reunião de emergência do Fed, a exemplo do que ocorreu em janeiro. No mês retrasado, o Fed reduziu os juros básicos americanos em 0,50 ponto percentual, e voltou a cortar 0,50 ponto em sua reunião oficial, para 3% ao ano. A próxima reunião oficial do Fed está marcada para 18 de março.
Mais que a taxa de juros, o que deve ficar no centro das atenções é o comunicado do banco: os investidores devem procurar no texto sinais de qual poderá ser a linha de ação do Fed nos próximos meses.
Reflexo
Com juros menores, o crédito fica mais barato e os consumidores voltam a comprar, reativando a economia americana (que tem 70% de sua atividade no consumo).
Porém, a redução de taxas de juros (ou, como tem sido visto nas últimas semanas, a expectativa de redução de juros) afeta as taxas de câmbio, o que explica a desvalorização do dólar frente a outras moedas, como o euro e o iene.
Um dos principais efeitos dessa desvalorização é a alta do preço do petróleo, que já está perto dos US$ 110. A procura pela commodity aumenta, por conseqüência, as pressões inflacionárias.
Além disso, na semana passada, o Departamento de Energia dos EUA informou que as reservas de petróleo no país caíram em 3,1 milhões de barris, ficando em 305,4 milhões. A Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) contribuiu para a onda de aumentos, ao decidir manter sua cota oficial de produção em 29,67 milhões de barris diários.
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