Petróleo recua após passar de US$ 109 e bater novo recorde
da Folha Online
O preço do petróleo registra recuo nesta terça-feira, após o anúncio do Federal Reserve (Fed, o BC americano) de um plano de ajuda de US$ 200 bilhões, em uma ação coordenada com outros bancos centrais, para conter a crise de crédito.
Às 12h03 (em Brasília), o barril do petróleo cru para entrega em abril, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, estava cotado a US$ 107,26 (baixa de 0,59%), depois de cravar o recorde de US$ 109,72. O valor mínimo atingido pelo barril até o horário foi de US$ 106,61.
"O petróleo definitivamente está reagindo à reversão [da desvalorização] do dólar", disse à agência de notícias Reuters o analista Tom Bentz, do BNP Paribas Commodity Futures.
Hoje o Fed informou que o dinheiro será emprestado às instituições com um prazo de vencimento de 28 dias, e não em operações "overnight" (empréstimos com prazo mínimo de um dia). A ação também será coordenada com outros bancos centrais, a fim de aliviar os efeitos da crise --o Banco do Canadá, o Banco da Inglaterra, o BCE (Banco central Europeu) e o Banco Nacional da Suíça.
Com a decisão do Fed, o euro perdeu algum terreno diante do dólar --mas não sem antes do anúncio ter registrado novo recorde de desvalorização diante da moeda européia, que chegou a ser negociada a US$ 1,5495. A valorização foi um reflexo da alta no índice de confiança apurado pelo instituto de pesquisa ZEW (sigla em alemão para Centro Europeu de Pesquisas Econômicas).
Com a injeção de recursos do Fed, diminuem um pouco as expectativas de corte na taxa de juros do Fed; as expectativas de corte nos juros do banco têm sido o principal fator a provocar a desvalorização da moeda americana.
O recuo do petróleo também refletiu a previsão da IEA (Agência Internacional de Energia, na sigla em inglês) de uma demanda menor que a projetada anteriormente neste ano, devido à desaceleração nas economias dos países industrializados.
Mesmo assim, a agência informou que apenas uma grave recessão mundial poderia levar o barril de volta a menos de US$ 60. "Estamos em uma era de preços altos do petróleo e assim, se olharmos para o barril a US$ 100 temos de fazer isso sabendo que os preços provavelmente não voltarão aos níveis vistos no início da década", informou a IEA.
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