Bolsas em NY sobem com ação do Fed para amenizar crise
da Folha Online
As Bolsas americanas operam em alta expressiva nesta terça-feira, com a decisão do Federal Reserve (Fed, o BC americano) de agir em conjunto com outros bancos centrais para conter a crise financeira mundial, e que já começa a afetar a economia real, ameaçando levar os EUA para uma recessão.
Às 16h16 (em Brasília), a Bolsa de Valores de Nova York estava em alta de 2,83%, operando com 12.072,80 pontos no índice Dow Jones Industrial Average (DJIA), enquanto o S&P 500 subia 2,89%, para 1.310,14 pontos. A Bolsa Nasdaq subia 2,99%, para 2.234,31 pontos.
O Fed anunciou uma ajuda de US$ 200 bilhões em dinheiro para instituições financeiras em dificuldade. Segundo o banco, o dinheiro será emprestado às instituições com um prazo de vencimento de 28 dias, e não em operações "overnight" (empréstimos com prazo mínimo de um dia).
A ação também será coordenada com o Banco do Canadá, o Banco da Inglaterra, o BCE (Banco central Europeu) e o Banco Nacional da Suíça. A iniciativa do Fed "pretende promover a liquidez nos mercados de crédito (...) e estimular o funcionamento dos mercados financeiros em geral".
A ação do Fed foi vista como uma forma de evitar ter de recorrer a um corte drástico nos juros na próxima semana, quando ocorrer a reunião do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês, equivalente ao Copom no Brasil).
Os cortes de juros são a forma do Fed tentar estimular um reaquecimento da economia, diante do cenário de desaceleração atual --a economia cresceu apenas 0,6% no quarto trimestre mesmo na Casa Branca já se cogita que o primeiro trimestre deste ano possa mostrar desempenho negativo.
Juros menores, no entanto, afetam o câmbio: o que explica a desvalorização do dólar frente a outras moedas, como o euro e o iene. Um dos principais efeitos dessa desvalorização é a alta do preço do petróleo, que já está perto dos US$ 110. A procura pela commodity aumenta, por conseqüência, as pressões inflacionárias.
"O Fed parece simplesmente estar a ponto de assumir os empréstimos ruins nos livros dos bancos e o mercado parece estar adorando a idéia", disse à agência de notícias Associated Press o estrategista-chefe da Meridian Equity Partners, Peter Dunay.
O anúncio do Fed também ofuscou o dado divulgado hoje pelo Departamento do Comércio: o déficit comercial americano registrou expansão em janeiro, com a disparada das importações no país --pressionada também pela alta do petróleo. O resultado negativo na balança comercial americana ficou em US$ 58,2 bilhões em janeiro, contra US$ 57,9 bilhões em dezembro.
As importações americanas atingiram a marca recorde de US$ 206,4 bilhões, com o peso do petróleo na balança comercial. O preço médio do barril importado ficou em US$ 84,09 em janeiro, valor recorde. O gasto do país com petróleo também bateu recorde, chegando a US$ 27,1 bilhões.
O efeito do petróleo ainda deve ser sentido de modo mais acentuado nos próximos meses: em janeiro, o barril chegou ao fim do mês na Bolsa Mercantil de Nova York em cerca de US$ 92 --ainda distante dos US$ 109 a que chegou hoje.
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