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Dinheiro
11/03/2008 - 17h04

CCR vai buscar novos financiamentos para pagar Rodoanel

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DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online

O presidente da CCR (Companhia de Concessões Rodoviárias), Renato Vale, disse em coletiva à imprensa nesta terça-feira que a proposta apresentada pelo trecho Oeste do Rodoanel Mário Covas é viável e que a empresa vai estudar possibilidades de financiamento para o pagamento da outorga e dos investimentos iniciais necessários para assumir a concessão.

A empresa, que lidera o consórcio Integração Oeste, ficou com o lote, após oferecer tarifa de pedágio de R$ 1,1684 por eixo.

Pelas regras do leilão, além de oferecer a tarifa mais baixa, a empresa vencedora tem de pagar R$ 2 bilhões de outorga em dois anos --verba que será repassada às obras de construção do trecho Sul do Rodoanel-- e investir R$ 804 milhões para melhoria da rodovia ao longo de 30 anos.

Como garantia, a proposta da empresa informou empréstimo de longo prazo tomado no exterior em dólar, sustentado pelo banco UBS Pactual. Segundo Vale, no entanto, o consórcio vai buscar novas alternativas de financiamento, como o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

"Serão R$ 650 milhões na partida, para pagar a primeira parcela da outorga e começar a caminhar com as obras, e outros R$ 2 bilhões tomados em dólar no exterior, no longo prazo. Mas, agora, quando formos declarados vencedores, vamos avaliar novamente todas as oportunidades, inclusive o BNDES, que tem sido nosso parceiro ao longo de todos os investimentos que temos feitos", disse Vale, que não descartou a possibilidade de emissões de papéis no mercado.

O executivo descartou que a proposta de R$ 1,1684 para a tarifa --com deságio de 61% sobre o teto de R$ 3 estipulado pelo governo de São Paulo-- tenha sido "agressiva" e afirmou que o projeto é viável.

"A CCR é uma empresa bastante desalavancada, com capacidade de endividamento muito grande, o que nos permite ir ao mercado e conseguir condições muito satisfatórias de financiamento. Nós não fazemos preço baixo, de referência em relação aos outros. O que fazemos é buscar taxa de retorno que atenda nossos acionistas. É viável", disse.

Vale também classificou como baixo o risco de investimento no Rodoanel. "No Rodoanel, a sinergia é muito grande de custos. Essa estrada não tem risco de investimentos e de tráfego, a exemplo das rodovias federais", disse, referindo-se ao insucesso das propostas da CCR no leilão federal realizado em outubro do ano passado.

Segundo Vale, o consórcio trabalha com expectativa de tráfego maior que a estimada pela Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo), de 145 mil veículos diários no trecho, "já que o valor ficou abaixo dos R$ 3 estipulados pelo governo como teto para a tarifa de pedágio e deve reduzir a fuga de veículos da rodovia".

Trecho Sul

Ele condicionou, no entanto, a viabilidade do projeto à conclusão do trecho Sul do Rodoanel. "Consideramos que o trecho Sul estará funcionando em 2010 e ele é fundamental para a viabilidade do projeto [do trecho Oeste]", avaliou. Segundo o secretário dos Transportes de São Paulo, Mauro Arce, o trecho Sul começará a funcionar ainda na gestão José Serra (que se encerra em 2010).

Segundo informou a secretaria dos Transportes, 22% das obras e 87% das desapropriações do trecho Sul já foram executadas. No total, são 61,4 quilômetros, que compreende a interligação entre a rodovia Régis Bittencourt, em Embu, e a av. Papa João 23, em Mauá --passando pelos municípios de Itapecirica da Serra, São Bernardo do Campo, Santo André e Ribeirão Pires.

As obras foram iniciadas em maio do ano passado e estão estimadas em R$ 3,9 bilhões (incluindo o projeto, a construção da rodovia, desapropriações, reassentamentos e compensações ambientais).

Disputa

Ao todo, foram apresentadas cinco propostas no leilão do trecho Oeste do Rodoanel Mário Covas. A segunda menor foi do consórcio Metropolitano, que tem a participação da Odebrecht, CIBE e BRVias, e ofereceu tarifa de R$ 1,2600. Também participaram o consórcio Ecoanel (com proposta de R$ 2,1799), a Queiroz Galvão (R$ 2,2468) e a Obrascan Huarte (R$ 2,2807).

No consórcio Integração Oeste, a CCR tem 95% de participação no consórcio e a Encalso Construções, os 5% restantes. A empresa, porém, só vai ser declarada oficialmente vencedora após análise técnica financeira da proposta, o que deverá ocorrer em 15 dias, segundo estimativas de Arce.

O trecho leiloado hoje é uma estrada de 32 km que corta as rodovias Bandeirantes, Anhangüera, Castello Branco, Raposo Tavares e Régis Bittencourt.

Arte Folha
 

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