Estudo de universidade americana diz que EUA não sofrerão recessão
da Efe, em Los Angeles
A economia da Califórnia continuará fraca durante o resto do ano, mas sem chegar a se tornar uma recessão, e a mesma previsão é válida para os Estados Unidos em seu conjunto, afirma um estudo da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles, em inglês), divulgado hoje.
A análise trimestral elaborada pelo centro Anderson Forecast da UCLA aponta sinais de desaceleração na economia californiana, como o aumento da taxa de desemprego, mas destaca outros fatores que a fortalecem e a manterão fora da recessão.
A conclusão é válida em termos gerais para a economia dos Estados Unidos em seu conjunto, segundo os autores do estudo, Ryan Ratcliff e Jerry Nickelsburg.
Ao comparar a economia atual dos EUA "com episódios passados de recessão", a fraqueza no setor de bens imobiliários "continuará sendo uma perda significativa da economia que nos manterá desacelerados em 2008, mas não a ponto de atingir uma recessão", indica o relatório.
Na Califórnia, segundo os economistas, o índice de desemprego chegará a 6,3% até o final do ano e a receita efetiva e as vendas reais contabilizáveis para impostos apresentarão reduções pequenas na primeira metade do ano.
Os economistas da UCLA apontam que a dupla perda de trabalhos na construção e em atividades financeiras continuará afetando negativamente a economia e mantendo o crescimento do emprego ligeiramente negativo por outros dois trimestres.
"Ainda afirmamos que a economia está muito opaca, mas não deve ser descrita como uma recessão", disseram os pesquisadores.
A projeção estima que a perda de empregos em setores não-agrícolas será somente de 0,1% para este ano, enquanto em uma recessão a contração geral deste setor supera 1%.
Segundo Eduardo Martínez, pesquisador da LAEDC (Corporação de Desenvolvimento Econômico de Los Angeles, em inglês), a baixa no preço do dólar beneficia a exportação de produtos do estado.
Além disso, a indústria aeroespacial e a turística, entre outras, mostram desempenhos e projeções favoráveis.
No conjunto da nação, a crise imobiliária continuará limitando o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), assim como a fraqueza nas despesas de consumo pessoal, afirmou Edward Leamer, diretor da Anderson Forecast.
"Temos um trimestre de crescimento negativo do PIB. O Governo federal continua emitindo boas notícias para Wall Street com a taxa de juros cada vez mais baixa", escreveu Leamer.
Com relação ao emprego no país, a projeção da UCLA calculou um percentual de 5,5% até o fim de 2008. No entanto, o estudo considera que o efeito negativo da crise imobiliária no PIB "se dissipará na segunda metade do ano e a economia voltará à normalidade em 2009."
Os pesquisadores afirmaram que, embora a taxa de desemprego seja um pouco alta, muita da perda de trabalho se deu na indústria da construção, enquanto na manufatura não se vê uma tendência a uma redução forte de empregos.
Os economistas, em geral, consideram que uma recessão ocorre quando o crescimento econômico é negativo durante dois trimestres seguidos.
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