Medidas não terão impacto imediato no câmbio, diz Mantega
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
O ministro Guido Mantega (Fazenda) avalia que as medidas anunciadas hoje para estimular o setor exportador e conter a desvalorização do dólar frente ao real não terão um impacto imediato. Elas passam a vigorar na segunda-feira, mas ele disse acreditar que o efeito delas poderá não se refletir na cotação do dólar imediatamente.
"Não há nenhuma medida radical. São medidas graduais que exercerão efeitos ao longo do tempo", afirmou nesta quarta-feira.
O ministro afirmou que as medidas anunciadas, no que se refere aos exportadores, são de curto prazo, e que a política industrial irá contemplar outras de médio e longo prazo. Desde o ano passado o governo tenta finalizar essa política.
Para o ministro, mesmo com o mercado interno aquecido e em crescimento, o objetivo do governo é fazer com que as empresas mantenham o mercado externo.
"Os objetivos são de manter em pé o que nós temos praticado nos últimos cinco anos, que é uma política de fortalecer as contas externas. Essa política vem sofrendo alguns ajustes ao longo do tempo. Esse momento se faz necessário para dar condições melhores aos nosso exportadores", justificou o ministro.
As iniciativas de curto prazo foram três: alíquota de 1,5% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para o investidor estrangeiro que aplicar em títulos públicos ou renda fixa (portfólio); fim do IOF para exportações e o fim da cobertura cambial das vendas ao exterior.
No primeiro caso, o governo estima que a arrecadação será de R$ 600 milhões e, no segundo, que a renúncia é de R$ 2,2 bilhões.
"Não são medidas de caráter arrecadatório, e sim regulatório. São medidas para contrabalançar os efeitos da desvalorização do dólar sobre as nossas exportações", explicou o ministro.
Questionado se as medidas não eram tímidas em um quadro de crise internacional, o ministro voltou a afirmar que o governo preferiu o gradualismo. "Preferimos fazer medidas graduais. Nesse momento achamos que está de bom tamanho."
Negou ainda que o governo mude de regras constantemente. Afirmou apenas que alguns instrumentos de política econômica devem ser usado para fazer ajustes.
"[Manter regras] não significa de ficar imóvel ou inerte diante de mudanças na conjuntura. Estamos vendo hoje o Fed [Federal Reserve, o BC dos EUA] mudando de regras", defendeu-se.
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