Aquecimento da economia fez Copom pensar em ajuste na taxa de juros
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
Os sinais de aquecimento da economia e a elevação das expectativas de inflação levaram os diretores do Banco Central a estudar um ajuste na taxa básica de juros. Esse ajuste iria colaborar para que as projeções inflacionárias para este ano e para 2009 ficassem dentro da trajetória de metas.
"Nesse contexto, o Comitê discutiu a opção de realizar, neste momento, um ajuste na taxa básica de juros. Um ajuste da taxa básica de juros contribuiria para reforçar a ancoragem das expectativas, não apenas para 2008, mas também no médio prazo, e para reduzir o descompasso entre as trajetórias da demanda e oferta agregadas. Entretanto, prevaleceu o entendimento de que, neste momento, o balanço dos riscos para a trajetória prospectiva central da inflação justificaria a manutenção da taxa básica em seu patamar atual", relata a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária).
O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu, na semana passada, manter a taxa básica de juros em 11,25% ao ano. Foi a quarta manutenção consecutiva.
De acordo com o documento, embora a trajetória de inflação seja favorável no curto prazo, há riscos para a concretização do cenário esperado. O Copom ressalta ainda que, se necessário, estará "pronto para adotar uma postura de política monetária diferente, caso venha a se consolidar um cenário de divergência entre a inflação projetada e a trajetória das metas".
O centro da meta de inflação é 4,5% do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), com margem de dois pontos para cima ou para baixo.
O colegiado teme que o descompasso entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta elevem a probabilidade de um cenário divergente, ou seja, com a inflação fora da trajetória de metas, se materializar.
O documento volta a lembrar que as exportações têm contribuído menos para o controle de inflação e que, por outro lado, o aumento dos investimentos ajuda a reduzir pressões inflacionárias. No entanto, lembra que a expansão da demanda, estimulada por incentivos fiscais e pela redução das taxas de juros ocorridas entre setembro de 2005 e setembro de 2007, representa riscos para a inflação.
'Nesse contexto, a redução consistente do descompasso entre o ritmo de ampliação da oferta de bens e serviços e o da demanda torna-se ainda mais relevante na avaliação das diferentes possibilidades que se apresentam para a política monetária."
Sobre o cenário externo, afirma que a desaceleração da economia dos EUA, as turbulências nos mercados financeiros e os efeitos dos preços das commodities elevaram os riscos de uma retração na economia mundial.
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