Secretário do Tesouro dos EUA propõe vigilância maior sobre empresas de hipoteca
da Folha Online
O secretário do tesouro dos EUA, Henry Paulson, disse nesta quinta-feira que o governo americano quer uma reforma nas regras da vigilância efetuada pelos órgãos reguladores de mercado sobre as empresas especializadas em hipotecas, a fim de evitar que crises como a que atinge o país atualmente --e que abala os mercados mundiais-- não se repitam.
"O objetivo aqui é equilibrar as coisas --a regulamentação precisa acompanhar as inovações e e ajudar a restaurar a confiança, mas sem ir longe a ponto de criar novos problemas, tornar nossos mercados menos eficientes ou cortar de vez o crédito para quem precisa", disse o secretário.
O secretário encabeça um grupo de trabalho formado na época do "crash" do mercado americano em 1987. Uma das recomendações do grupo é a de que os órgãos reguladores federais e estaduais reforcem a vigilância sobre as empresas de hipotecas; outra é a de que as autoridades estaduais adotem padrões mais rígidos de concessão de licenças para a atuação de corretores de hipotecas.
O grupo chefiado pelo secretário ainda propõe que sejam melhoradas as práticas das agências de classificação de risco, criticadas por não realizarem a avaliação do risco de forma mais precisa sobre financiamentos hipotecários mais complexos.
Paulson disse que a proposta de vigilância mais reforçada não é uma forma de encontrar "desculpas ou bodes-expiatórios". "Aqueles que cometeram fraudes contribuíram para o problema atual; as autoridades precisam processá-los, e já o estão fazendo. Mas julgamentos e práticas ruins do mercado levam prejuízos a todos os participantes", afirmou.
"Não há uma solução única, ou simples, para os problemas que surgiram (...) mesmo assim determinamos que o comportamento dos participantes do mercado precisa mudar", afirmou.
A atual crise de crédito nos EUA começou no segmento de hipotecas "subprime" (de maior risco). O crescimento da inadimplência nesse segmento levou bancos e fundos de investimento reduzirem os valores de suas carteiras compostas por títulos ligados a essas hipotecas.
O movimento causou prejuízos de bilhões de dólares a gigantes do setor financeiro, tanto os ligados diretamente ao mercado hipotecário, como a Countrywide Financial (maior financiadora imobiliária dos EUA) como a bancos como o suíço UBS e o americano Citigroup.
O grupo chefiado por Paulson concluiu que o afrouxamento dos padrões de funcionamento do mercados de crédito "subprime" é "sintomático de uma erosão muito mais ampla da disciplina no mercado quanto aos padrões de empréstimo".
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