Desvalorização do dólar leva petróleo a novo recorde, US$ 111
da Folha Online
A desvalorização do dólar frente a outras moedas, como o euro e o iene, fez com que o petróleo atingisse nesta quinta-feira outra marca recorde, US$ 111.
Às 13h15 (em Brasília), pouco depois de atingir o novo recorde, o preço do barril da commodity para entrega em abril recuou, registrando ligeira variação negativa de 0,03%), cotado a US$ 109,89 na Nymex (Bolsa Mercantil de Nova York, na sigla em inglês). Até o horário, o valor mínimo registrado pelo barril era de US$ 109,33.
Hoje o dólar registrou nova desvalorização: o euro cruzou a marca de US$ 1,56, enquanto que, frente ao iene, o dólar atingiu a maior desvalorização desde 1995, tendo chegado a cair para 99,75 ienes.
"As commodities devem ser as principais beneficiárias do agressivo ciclo de cortes de juros do Fed [Federal Reserve, o BC americano]", informou o Citigroup em uma nota.
A estratégia dos investidores diante do quadro de instabilidade do mercado financeiro, com a instabilidade das Bolsas, e o risco de um avanço da inflação, tem sido recorrer aos mercados de commodities.
Outro produto que vem sendo alvo de procura pelos investidores é o ouro: a cotação da onça de ouro (31,10 gramas) que passou dos US$ 1.000 foi registrada para contratos para abril na Nymex.
Mesmo o aumento nos estoques nas reservas americanas não bastou para fazer a cotação da commodity ceder. Ontem, o Departamento de Energia dos EUA informou que as reservas de petróleo no país aumentaram em 6,2 milhões de barris na última semana e alcançaram o total de 311,6 milhões. A agência informou que com este aumento de 2% as reservas de petróleo estão dentro da média desta época do ano.
Na semana anterior os estoques chegavam a 305,4 milhões de barris. O volume de reservas ficou na última semana 2,8% abaixo do volume existente há um ano.
A desvalorização do dólar tem sido o fator de maior peso sobre as cotações da commodity: com o dólar desvalorizado frente a outras moedas, o barril do petróleo se torna mais acessível, elevando a pressão sobre a demanda.
O banco central americano vem reduzindo sua taxa de juros desde setembro do ano passado, a fim de impedir que a economia americana caia em recessão. Com os cortes de juros, o banco pretende baratear o crédito e estimular o consumo (cerca de 70% da atividade econômica dos EUA é movimentada pelo consumo).
Os juros menores, no entanto, afetam o câmbio, com a busca dos investidores por mercados com retornos maiores com juros.
Leia mais
- Petróleo bate novo recorde, apesar de estoques nos EUA
- Petróleo fecha em novo recorde em NY ao passar dos US$ 108
- Alta do petróleo não será resolvida imediatamente, afirma Casa Branca
- Economia dos EUA "parece entrar em recessão", diz Mantega
- Veja como economizar energia e reduzir demanda por combustíveis fósseis
Especial

