Dinheiro
13/03/2008 - 14h09

Presidente do BCE defende papel protetor do euro e luta contra inflação

da Efe, em Paris

O presidente do BCE (Banco Central Europeu), Jean-Claude Trichet, defende o papel protetor do euro contra as "turbulências", assim como a luta da autoridade monetária da União Européia (UE) para manter a "estabilidade dos preços", que é seu "mandato".

A força do euro, que hoje bateu recorde, ao superar US$ 1,56 nos mercados cambiais, gerou críticas, principalmente na França, por seu efeito nas exportações e por seu efeito sobre as empresas.

"Não se pode dizer, por sua vez, que o euro é uma desvantagem", disse Trichet em entrevista na edição da revista "Le Point" publicada hoje.

O euro "nos protege contra certas turbulências", como a explosão de bolhas da internet, a forte alta dos preços do petróleo e a crise financeira atual, afirma, ao destacar o papel de "escudo eficaz" da moeda única.

Ao mesmo tempo, reafirma que se preocupa com os movimentos "excessivos" das taxas cambiais e que prestou "muita atenção" a uma declaração das autoridades dos Estados Unidos, que disseram que um dólar forte favorece a economia americana.

"Além das relações entre as grandes moedas", há um processo de transformação rápida das economias dos principais países industrializados por causa do "dinamismo" dos emergentes, como Brasil, Índia, China, e Rússia, explica.

"É uma tendência de longo prazo. O que se quer é criar muitos mais empregos novos" que os extintos, destaca.

Trichet defende a política monetária do BCE, que esteve "totalmente guiada" por seu principal mandato: "assegurar a estabilidade dos preços a médio prazo. Nem mais, nem menos".

"Não devemos tolerar que as altas atuais dos preços do petróleo, das matérias-primas e dos produtos agrícolas" se estendam ao conjunto dos preços e salários, afirmou.

"Seria uma espiral inaceitável" que colocaria em risco, de forma duradoura, a estabilidade dos preços, o crescimento e a criação de emprego, adverte.

"Se já não fôssemos críveis" para assegurar a estabilidade dos preços, "os lares perderiam a confiança e os mercados financeiros seriam muito mais turbulentos, porque seriam afetados pelas incertezas sobre a inflação a médio prazo", ressaltou.

Todos os bancos centrais devem levar em conta as situações "particulares" de suas economias, acrescentou.

O presidente do BCE aproveitou para pedir à França reformas para flexibilizar seu mercado de trabalho, reduzir seu gasto público e melhorar a educação e ensino superior.

 

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