Preço do petróleo opera em ligeira baixa mas segue perto de nível recorde
da Folha Online
O preço do petróleo registra ligeira baixa nesta sexta-feira, mas sem se distanciar muito dos níveis recorde atingidos na sessão de negócios de ontem.
Às 8h53 (em Brasília), o barril do petróleo cru para entrega em abril, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, estava cotado a US$ 109,82 (baixa de 0,46%). Até o horário, o preço máximo atingido pelo barril era de US$ 110,24 e o mínimo, de US$ 109,26.
Ontem, o barril encerrou as negociações cotado acima dos US$ 110 pela primeira vez, batendo recorde de fechamento (o preço final foi US$ 110,33).
Segundo analistas, a ligeira retração de hoje faz parte da volatilidade que tem marcado as negociações da commodity nos últimos dias. "Quando não há preocupações imediatas sobre fornecimento que justifiquem a elevação para níveis recorde todos os dias, alguma retração é inevitável", disse à agência de notícias Associated Press (AP) o analista Victor Shum, da Purvin & Gertz em Cingapura. "Isso é apenas parte da volatilidade dos negócios."
A desvalorização do dólar continua a elevar a pressão sobre a demanda pela commodity, impulsionando as cotações: hoje o euro bateu novo recorde de valorização diante da moeda americana, chegando a ser negociado a US$ 1,5651, enquanto o iene voltou a registrar valorização diante da moeda americana --que, pelo segundo dia consecutivo, voltou a ser negociado abaixo de 100 ienes.
A estratégia dos investidores diante do quadro de instabilidade do mercado financeiro, com a instabilidade das Bolsas, e o risco de um avanço da inflação, tem sido recorrer aos mercados de commodities.
Mesmo o aumento nas reservas americanas de petróleo, anunciado nesta semana, não bastou para fazer a cotação da commodity ceder. O Departamento de Energia dos EUA informou nesta quarta-feira (12) que as reservas de petróleo no país aumentaram em 6,2 milhões de barris na última semana e alcançaram o total de 311,6 milhões. A agência informou que com este aumento de 2% as reservas de petróleo estão dentro da média desta época do ano.
Na semana anterior os estoques chegavam a 305,4 milhões de barris. O volume de reservas ficou na última semana 2,8% abaixo do volume existente há um ano.
A desvalorização do dólar tem sido o fator de maior peso sobre as cotações da commodity: com o dólar desvalorizado frente a outras moedas, o barril do petróleo se torna mais acessível, elevando a pressão sobre a demanda.
O banco central americano vem reduzindo sua taxa de juros desde setembro do ano passado, a fim de impedir que a economia americana caia em recessão. Com os cortes de juros, o banco pretende baratear o crédito e estimular o consumo (cerca de 70% da atividade econômica dos EUA é movimentada pelo consumo).
Os juros menores, no entanto, afetam o câmbio, com a busca dos investidores por mercados com retornos maiores com juros.
"No curto prazo, apesar do fato de que o preço do petróleo está se distanciando dos fundamentos do mercado, a corrida pode continuar devido à expectativa pela redução dos juros [do Federal Reserve, o BC americano] e da desvalorização do dólar", disse Shum à AP.
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