Dinheiro
14/03/2008 - 12h08

Presidente da ArcelorMittal elogia possível compra da Xsrata pela Vale

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CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

O presidente da siderúrgica ArcelorMittal do Brasil, José Armando Campos, disse nesta sexta-feira, durante evento no Rio, que a possível compra da Xsrata pela Vale seria benéfica para o Brasil. "Se conseguir comprar, é o fortalecimento de uma empresa brasileira. É bom para nós [Brasil]", afirmou.

Segundo Campos, o negócio entre Xsrata e Vale não afeta a questão dos preços do minério de ferro no mercado mundial. Para ele, os valores estão mais ligados ao balanço entre oferta e demanda.

O executivo disse ainda que o setor de mineração "anda em linha com o de aço", no que se refere à consolidação de empresas. Isto, explicou, permite que um menor volatilidade de preços durante ciclos econômicos considerados ruins.

"É o que perseguimos [consolidação]. Isso dá maior disciplina ao mercado. Permite que se projete com mais segurança o crescimento da oferta com a demanda", afirmou.

Campos considerou ainda que os preços do minério de ferro no mercado internacional independem do sistema atual, no qual as mineradoras negociam diretamente com cada comprador --no caso, as siderúrgicas. No último mês, a Vale fechou reajustes superiores a 70% nos preços com várias siderúrgicas. A negociação com a Arcelor, a maior do mundo, ficou em 65%.

Para ele, a indústria siderúrgica é feita de ciclos, e que atualmente a tendência é de alta dos preços. "O que vai evitar um aumento maior é a consolidação na cadeia de valor e o mercado em si. Se cair [preço], vamos ver mudanças de patamar para baixo, mas não como antes."

Dólar fraco

Em relação à desvalorização do dólar, fato que tem pressionado commodities como petróleo e ouro, Campos afirmou que a indústria siderúrgica brasileira não sente tanto a pressão devido ao crescimento das vendas do mercado interno.

Ele explicou que se o atual patamar do dólar fosse verificado há quatro anos, "as empresas estariam liquidadas". Segundo Campos, as companhias teriam que exportar diante do baixo consumo interno da época e "certamente estariam chorando". "A situação conjuntural nos permite conviver com o dólar do jeito que está."

 

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