Dinheiro
14/03/2008 - 14h08

Compra da Xstrata pela Vale não muda setor, diz executivo da ThyssenKrupp

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CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

O presidente do Conselho de Administração do grupo industrial alemão ThyssenKrupp, Hans-Ulrich Lindenberg, disse nesta sexta-feira que as empresas do setor siderúrgico consideram que a possível compra da Xstrata pela Vale não vai alterar a conjuntura do setor de minério de ferro.

Para o executivo, a conclusão do negócio "não pode tornar as negociações [de minério de ferro] mais duras do que já são hoje". "A Vale está fazendo um excelente negócio com esta compra", disse Lindenberg.

Segundo ele, há anos os reajustes do minério de ferro tem sido "difíceis". Ele explicou que os preços estão mais altos do que qualquer um poderia imaginar há 10 anos. Para o executivo, isso é resultado da consolidação do mercado de minério de ferro. As principais mineradoras --Vale, BHP Billiton, Rio Tinto e Xstrata-- detém 79% de participação, ressaltou.

"A Vale tem feito um excelente trabalho nas negociações de preços. Estamos no mesmo barco, dependemos deles como fornecedores e eles de nós como compradores", disse.

Em fevereiro, a Vale reajustou em 66% o preço do minério de ferro para a siderúrgica alemã, em uma rodada de aumento que foi feita também para empresas européias e asiáticas.

Já o presidente da Usiminas, Reinaldo Campos Soares, segue a mesma linha de raciocínio do executivo da ThyssenKrupp. Na opinião dele, a hipotética compra da Xstrata não afeta em nada o mercado siderúrgico.

Segundo Soares, a questão do preço envolve a demanda e oferta. "Isso é o que regula o mercado. O negócio com a Xstrata é desenvolvimento da Vale", disse. O executivo da Usiminas disse que esperava um reajuste menor do minério de ferro. A empresa trabalhava com um patamar de 35%.

Ele destacou que, até o meio do ano, as siderúrgicas deverão fazer uma correção de preços, repassando o recente aumento do preço do minério de ferro. Em fevereiro, a Usiminas já fez o reajuste de 9%.

Lindenberg defendeu ainda a manutenção do atual sistema de negociação de preços do minério de ferro, do qual as mineradoras negociam diretamente com as siderúrgicas. Para ele, a possível abertura do mercado, a exemplo do que aconteceu com o níquel, poderia trazer especuladores ao mercado.

"Teremos outros elementos no negócio. Atrairia pessoas que não são ligadas ao setor, e esse dinheiro poderia deteriorar nosso negócio", disse.

 

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