Miguel Jorge diz que empresas não podem depender de valorização do dólar
da Folha Online
O ministro do Desenvolvimento Miguel Jorge afirmou que as empresas precisam de medidas que estimulem as exportações para que o setor não dependa da valorização do dólar. Entre elas, citou a desoneração de impostos, que deve constar do projeto de política industrial e ajudar importadores e exportadores.
"Você tem de trabalhar não para que o dólar deixe de valorizar, mas para que você dê mais condições às empresas brasileiras de suportarem essa desvalorização do dólar e sejam mais competitivas na importação", disse Miguel Jorge em evento na FGV (Fundação Getulio Vargas), em São Paulo.
Segundo ele, o país não pode depender da valorização do dólar para exportar, já que a moeda norte-americana é influenciada por vários fatores. "É difícil fazer com que o dólar deixe de se desvalorizar. Os Bancos Centrais colocaram US$ 200 milhões no mercado e mais US$ 400 ontem, que não deram resultado. É um problema inerente ao dólar e à economia dos Estados Unidos", disse Miguel Jorge.
Segundo o ministro, as medidas anunciadas pelo governo nesta semana para impedir a desvalorização ainda maior do dólar foram só o início. "Como o próprio ministro da Fazenda [Guido Mantega] afirmou, essas são as primeiras medidas. Virão outras que, no conjunto, têm efeito bastante importante. Nós estamos discutindo com a Presidência da República várias outras medidas que não têm efeito sobre a desvalorização do dólar, mas para estimular as exportações", afirmou.
A política industrial, prometida pelo ministro para ser apresentada no máximo em duas semanas, deverá trazer medidas complementares à iniciativa de conter a queda do dólar, anunciada pelo governo nesta semana.
"A política industrial traz medidas de retirada de impostos, que podem ajudar empresas que importam e exportam. No bojo da indústria há setores mais exportadores que outros e eles teriam resultado maior em relação à desoneração para exportações", disse.
Crise nos EUA
Quanto à crise de crédito hipotecário de alto risco (subprime) nos Estados Unidos, o ministro afirmou que "é mais grave do que parece". "A percepção é que é mais grave do que parece, que ainda não se manifestou como é e nem até onde vai", avaliou.
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