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Dinheiro
14/03/2008 - 17h35

Problemas do mercado financeiro dos EUA fazem Bovespa cair 0,46%

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YGOR SALLES
da Folha Online

A crise do crédito imobiliário de alto risco ("subprime") nos Estados Unidos voltou a dar as caras no mercado financeiro mundial e fez com que as Bolsas em todo o mundo tivessem perdas nesta sexta-feira. E a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) foi pelo mesmo caminho.

O Ibovespa --principal indicador da Bolsa paulista-- fechou com perda de 0,46%, aos 61.990 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,89 bilhões, dentro da média do ano, com cerca de 221 mil negócios realizados. Já o dólar comercial teve avanço de 1,24%, vendido a R$ 1,713.

A má situação financeira do banco de investimentos Bear Stearns --que recebeu uma injeção de recursos do JP Morgan Chase e pelo Fed (Federal Reserve, o BC americano)-- foi o principal motivo para o mau humor de hoje.

A operação no Bear Stearns fez com que o mercado voltasse a se preocupar com os problemas causados pela crise do subprime. Segundo comunicado do JP Morgan Chase, o banco e o Fed (Federal Reserve, o BC americano) vão disponibilizar recursos para o banco de investimentos por um período inicial de 28 dias --o montante, porém, não foi revelado.

"A situação [do Bear Stearns] é grave e complicada", disse Jason Vieira, economista-chefe da consultoria Uptrend. "Fizeram uma aposta muito grande em apenas um ativo só, no caso os papéis de subprime."

A notícia fez com que as ações do Bear Stearns chegassem a cair mais de 50%. O recuo ao final do pregão foi de 47,4%. A queda levou consigo os índices das Bolsas americanas: o Dow Jones perdeu 1,6%, e o tecnológico Nasdaq Composite teve baixa de 2,25%.

A notícia trouxe temores aos investidores porque o Bear Stearns é um dos principais bancos de investimento dos Estados Unidos e um dos maiores vendedores de títulos atrelados a hipotecas residenciais. "O medo é de que outras instituições financeiras tenham ido pelo mesmo caminho", lembra Vieira.

É o caso, por exemplo, do fundo de investimentos Carlyle Capital. Ontem, o "calote" de US$ 16 bilhões da empresa fez com que as Bolsas americanas e a Bovespa operassem quase todo o pregão em baixa.

Segundo Vieira, o Ibovespa só teve um desempenho melhor do que das Bolsas americanas porque teve, no início do pregão, um "otimismo excessivo" com a divulgação do CPI [índice de preços ao consumidor nos Estados Unidos] de fevereiro. O indicador ficou estável, contra aposta de inflação de 0,2% dos analistas.

"O problema é que veio alta zero para energia. Só que uma hora vai subir, visto os preços recordes do petróleo", disse.

As ações listadas no Ibovespa com as maiores altas são Brasil Telecom Participações ON (5,25%), Net PN (5,05%) e Souza Cruz ON (3,79%).

As maiores baixas são Cosan ON (-6,69%) --puxado pelo prejuízo anunciado no terceiro trimestre fiscal--, Telemar ON (-5,98%) e Light ON (-4,52%).

 

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