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Dinheiro
15/03/2008 - 08h57

Socorro ao Bear Stearns eleva temor nos mercados

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DENYSE GODOY
da Folha de S.Paulo

Ontem foi mais um dia de forte oscilação para a Bolsa de Valores de São Paulo. De manhã, chegou a subir até 1,2% com os números sobre a inflação ao consumidor nos EUA, mas logo depois veio a notícia de que o tradicional banco de investimentos americano Bear Stearns está quase quebrando, o que azedou bastante o humor do mercado no mundo todo.

Tendo recuado até o mínimo de 60.709 pontos (queda de 2,52%), a Bovespa diminuiu o ritmo de queda no final do expediente e fechou com baixa de 0,46%, aos 61.990 pontos.

"Comparando com o que aconteceu em Wall Street, até que essa queda foi pequena", comenta Daniel Doll Lemos, analista da corretora Socopa. A Bolsa de Nova York caiu 1,6% e a Nasdaq (onde se negociam ações do setor de tecnologia) teve queda de 2,26%.

Tanto lá como cá, os papéis das empresas do setor financeiro registraram as maiores desvalorizações. Os preferenciais (PN) do Bradesco recuaram 1,77% na Bovespa, a R$ 51,36, e os do Itaú perderam 0,94%, a R$ 41,80. "Nem há ligação entre os problemas dos americanos com os bancos nacionais, porém a preocupação com o que está acontecendo nos Estados Unidos acaba se refletindo aqui também", explica Lemos.

Ontem, o JPMorgan informou que, apoiado pelo Fed (Federal Reserve, banco central americano) de Nova York, proverá o Bear Stearns dos recursos de que necessita por um período de 28 dias e o auxiliará na busca de uma solução para os seus problemas. O grande medo dos investidores é que outros bancos estejam em dificuldades semelhantes e não tenham avisado sobre o tamanho dos prejuízos sofridos com a crise de hipotecas de alto risco.

"O que gera o nervosismo é não saber a dimensão do rombo", resume Eduardo Barros, estrategista da corretora de câmbio Fluxo. O pessimismo no exterior fez o dólar comercial subir 1,24%, vendido a R$ 1,713. Em uma semana, a moeda acumula valorização de 1,72%. No ano, ainda há uma queda de 3,6%.

Preocupado com uma recessão --que já se instalou, na opinião de grande parte dos analistas--, o Fed deve voltar a cortar seus juros na próxima semana. Alguns economistas apostam em uma redução de 0,5 ponto percentual, que levaria a taxa básica a 2,5% ao ano; outros falam em uma diminuição de até 0,75 ponto percentual. O palpite mais ousado se apóia no índice de inflação ao consumidor americano, que apontou estabilidade em fevereiro em comparação com janeiro, segundo o governo divulgou ontem. A alegria provocada pelos dados, entretanto, durou pouco.

"Assim será nos próximos dias. O mercado se guiará exclusivamente pelas notícias que forem saindo", diz Lemos. "Está muito difícil fazer previsões para o curto prazo." A Bovespa tem elevação de 0,2% na semana e baixa de 2,97% em 2008. Ontem, as ações que impediram a Bolsa de ter uma queda maior foram as do setor de siderurgia. Usiminas PNA avançou 1,35%, a R$ 105; Companhia Siderúrgica Nacional ON (ordinária) teve alta de 2,68%, a R$ 67; e Gerdau PN subiu 0,35%, a R$ 56,70.

Na Ásia e na Europa, o clima esteva igualmente pesado na sexta-feira. A Bolsa do Japão recuou 1,54%; a de Hong Kong, 0,29%; a de Londres, 1,1%; a de Frankfurt, 0,75%.

 

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