Bear Stearns negocia venda a JP Morgan após problemas de liquidez
da Efe, em Washington
O banco de investimento Bear Stearns está negociando sua venda para a entidade financeira JP Morgan Chase, após ter admitido problemas de liquidez e suas ações terem desabado na sexta-feira na Bolsa de Nova York.
Segundo as edições digitais dos jornais econômicos "Financial Times" e "The Wall Street Journal", as duas partes tentam chegar a um acordo antes da abertura das bolsas de valores na Ásia, na segunda-feira.
Os dois bancos trabalham contra o relógio para fechar o acordo e evitar que a crise financeira do Bear Stearns, o quinto maior banco de investimento dos Estados Unidos, prejudique outras instituições.
Na sexta-feira, o executivo-chefe do Bear Stearns, Alan Schwartz, reconheceu em comunicado que a liquidez do banco "diminuiu de forma significativa".
"O Bear Stearns esteve exposto a muitos rumores no mercado sobre nossa liquidez. Tentamos enfrentar e dissipar os rumores e separar a realidade da ficção. No entanto, devido a esses comentários do mercado, nossa liquidez diminuiu de forma significativa nas últimas 24 horas", disse.
O anúncio do Bear Stearns provocou uma grande turbulência em Wall Street e favoreceu a intervenção do banco JP Morgan Chase e do banco do Fed (Federal Reserve, banco central americano) de Nova York.
A autoridade monetária dos EUA decidiu fornecer financiamento a Bear Stearns, "por um período inicial de até 28 dias", para impedir que sua situação piore e arraste outras empresas financeiras.
Segundo os cálculos do "Wall Street Journal", a sede do banco na Avenida Madison poderia estar avaliada em US$ 1,2 bilhão e seu negócio de bancos alcançaria US$ 1 bilhão, com o que o preço da venda chegaria a US$ 2,2 bilhões, menos de US$ 20 por ação.
Além do preço, que ainda estaria sendo negociado, ainda não se sabe quanto risco o JP Morgan quer assumir em qualquer tipo de transação e com quais negócios quer ficar.
Se não encontrasse comprador, o Bear Stearns se preparou para declarar sua insolvência, o que poderia ser o cenário mais provável se as negociações com o JP Morgan fracassarem.
Os acionistas deverão ser os mais afetados, pois os títulos do banco de investimento não eram cotados abaixo dos US$ 20 desde 1995.
O acordo ainda precisaria da autorização formal do Fed, segundo o jornal econômico.
O temor neste momento é que, se o Bear Stearns falir, o banco seria forçado a vender os títulos de hipotecas de alto risco a preços muito baixos.
Isso faria cair o valor desses ativos ainda mais e poderia afetar a solvência de muitos outros grandes bancos.
Se outras instituições financeiras fossem afetadas, poderia piorar ainda mais o acesso ao crédito em toda a economia, o que, por sua vez, frearia a atividade nos Estados Unidos, que, segundo um número crescente de analistas, já estão em recessão.
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