Dinheiro
17/03/2008 - 00h14

JPMorgan compra o banco de investimento Bear Stearns por US$ 236 mi

da Efe, em Washington

O banco JPMorgan Chase fechou um acordo de compra com o Bear Stearns de US$ 236 milhões. A notícia surge quatro dias depois de o presidente do quinto banco de investimento dos Estados Unidos, Alan Schwartz, ter admitido problemas de liquidez na sexta-feira na Bolsa de Nova York.

O JPMorgan aceitou pagar US$ 2 por cada ação do Bear Stearns, segundo notícia divulgada neste domingo (16). O acordo também estabelece uma troca acionária de 0,055 ação deste banco por cada uma do Bear Stearns.

JPMorgan estimou em cerca de 6 bilhões de dólares os custos ligados à operação, que incluem as despesas jurídicas, a adequação das contas e a redução das dívidas que garantiam os investimentos do Bear Stearns.

Além disso, JPMorgan avaliou em cerca de um bilhão de dólares o impacto positiva da operação sobre seus benefícios, informou o banco durante uma apresentação aos analistas financeiros.

Crise

Na última sexta-feira (14), Schwartz, do Bear Stearns, reconheceu que a liquidez do banco "diminuiu de forma significativa". A declaração provocou uma grande turbulência em Wall Street e favoreceu a intervenção do banco JP Morgan Chase e do banco do Fed (Federal Reserve, banco central americano) de Nova York.

A autoridade monetária dos EUA decidiu fornecer financiamento a Bear Stearns, "por um período inicial de até 28 dias", para impedir que sua situação piore e arraste outras empresas financeiras.

O temor neste momento é que, se o Bear Stearns falisse, o banco seria forçado a vender os títulos de hipotecas de alto risco a preços muito baixos.

Isso faria cair o valor desses ativos ainda mais e poderia afetar a solvência de muitos outros grandes bancos.

Se outras instituições financeiras fossem afetadas, poderia piorar ainda mais o acesso ao crédito em toda a economia, o que, por sua vez, frearia a atividade nos Estados Unidos, que, segundo um número crescente de analistas, já estão em recessão.

Após o anúncio de Schwartz, as ações do banco desabaram na Bolsa de Nova York, caindo 47,37% para US$ 30 e arrastou o resto das firmas financeiras, que em seu conjunto caíram 3,72%.

Com este fechamento, os US$ 2 que o JPMorgan pagará por cada ação do Bear Stearns são uma autêntica pechincha e em última instância os prejudicados são os acionistas, já que os títulos do banco não eram cotados abaixo dos US$ 20 desde 1995.

"Melhor saída"

"O JPMorgan Chase respalda o Bear Stearns," afirmou o presidente e diretor-geral do banco, Jamie Dimon.

"Os clientes do Bear Stearns e seus parceiros podem se sentir seguros que o JPMorgan garantirá os riscos assumidos pelo banco de investimento. Damos as boas-vindas a seus clientes, seus parceiros e empregados e ficamos encantados de ser seu aliado", afirmou.

Dimon acrescentou que a transação agregará valor a longo prazo aos acionistas do JPMorgan, pois representa um risco "assumido", dentro de uma "margem de erro apropriada".

Schwartz disse no comunicado que "a última semana foi muito difícil" para a empresa. Esta operação representa "a melhor saída para todos (...), levando em conta nossa atual situação", afirmou.

As duas partes trabalharam contra o relógio para fechar o acordo de compra e venda neste domingo, já que queriam tê-lo pronto antes da abertura na segunda-feira das bolsas de valores na Ásia e evitar portanto que as turbulências financeiras do Bear arrastassem outros bancos.

Na sexta-feira, Schwartz, reconheceu em comunicado que a liquidez do banco tinha se deteriorado "de forma significativa".

"O Bear Stearns esteve exposto aos rumores no mercado sobre nossa liquidez. Tentamos enfrentar e dissipar os rumores e separar os fatos da ficção. No entanto, devido a esses comentários do mercado, nossa liquidez se deteriorou de forma significativa nas últimas 24 horas", disse.

Com France Presse e Associated Press

 

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