Setor bancário lidera perdas em dia de queda nas Bolsas européias
da Folha Online
Os papéis do setor bancário lideram as perdas nas Bolsas européias nesta segunda-feira --alguns dos mercados europeus chegam a apresentar baixa de mais de 4%. O temor em relação ao setor bancário se agravou devido à notícia de que o banco americano de investimentos JP Morgan comprou ontem o Bear Stearns por US$ 236 milhões, o que foi visto como sinal de que a fragilidade nas instituições bancárias pode ser maior que o previsto.
Às 10h33 (em Brasília), a Bolsa de Paris tinha queda de 3,27%, indo para 4.441,88 pontos; a Bolsa de Amsterdã recuava 3,52%, para 417,09 pontos; a Bolsa de Milão perdia 3,24%, indo para 23.438 pontos; e a Bolsa de Zurique caía 4,13%, para 6.837,48 pontos.
Às 10h22 (em Brasília), a Bolsa de Londres perdia 3,21%, indo para 5.450,90 pontos; e a Bolsa de Frankfurt caía 3,94%, para 6.198,62 pontos.
A maior perda era a verificada nas ações do UBS --maior banco suíço--, com queda de 12,9% em Zurique. O banco é uma das instituições que mais sentiu o impacto da crise nas hipotecas de risco nos EUA. As ações do Credit Suisse chegaram a recuar 9%, enquanto as do Deutsche Bank caíam 5,6% em Frankfurt.
O Federal Reserve (Fed, o BC americano) também agiu neste domingo, cortando sua taxa de redesconto (usada para conceder empréstimos de curto prazo a instituições com escassez temporária de liquidez) em 0,25 ponto percentual, até 3,25%.
A taxa de redesconto é um instrumento do Fed para conceder empréstimos de curto prazo a instituições com problemas temporários de liquidez (oferta de dinheiro). O instrumento, no entanto, é utilizado com cautela pelas instituições financeiras: as que recorrem a empréstimos com essa taxa ficam de certo modo marcadas como instituições fragilizadas, que não conseguem empréstimos em outras fontes e têm de recorrer ao "concessor do último recurso" --papel que cabe ao Fed.
"Como são os principais bancos em seus países, o UBS, o Credit Suisse e o Deutsche Bank provavelmente serão vistos como o tipo de instituição que é grande demais para quebrar", informaram em uma nota os analistas Matthew Clark e Vasco Moreno, da consultoria Keefe, Bruyette & Woods.
Mesmo assim, o setor bancário reage mal aos desenvolvimentos registrados nos EUA ontem. Também caem as ações do BNP Paribas na França, operando com perda de 6,8%, enquanto as do Société Générale, 8,7%. As do britânico Barclays caíam 8%.
Ontem, o semanário suíço "SonntagsZeitung" informou que o UBS planeja cortar 8.000 empregos, devido à previsão de problemas nos próximos anos. O porta-voz do banco, Christoph Meier, disse que a redução de custos ainda é prioridade no banco, mas ainda não havia estimativa do número de empregos que seriam eliminados.
Amanhã o Fed se reúne para decidir sobre sua taxa de juros --a expectativa é de um corte de ao menos 0,75 ponto percentual.
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