Dinheiro
17/03/2008 - 14h32

Temor sobre bancos após venda do Bear Stearns derruba Bolsas européias

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da Folha Online

As Bolsas européias fecharam em queda acentuada nesta segunda-feira. A ação do Federal Reserve (Fed, o BC americano) no fim de semana em uma reunião de emergência, para cortar sua taxa de redesconto, foi recebida com cautela pelos investidores, mas o que causou o maior abalo na confiança nos negócios foi a venda do banco americano de investimentos Bear Stearns para o rival JP Morgan.

A Bolsa de Londres fechou em queda de 3,86%, indo para 5.414,40 pontos; a Bolsa de Paris caiu 3,51%, para 4.431,04 pontos; a Bolsa de Frankfurt teve perda de 4,18%, indo para 6.182,30 pontos; a Bolsa de Amsterdã fechou em baixa de 3,79%, indo para 415,92 pontos; a Bolsa de Milão caiu 3,52%, ficando com 23.371 pontos; e a Bolsa de Zurique perdeu 5,02%, encerrando o dia com 6.774,26 pontos.

Os papéis do setor bancário foram os que mais perderam, com destaque para os do banco suíço UBS, que caíram 14% --maior perda em nova anos. Outros que caíram foram os dp Deutsche Bank (-6%) e os do BNP Paribas (-4,7%).

Além do efeito negativo causado pela situação do Bear Stearns, o UBS ainda teve motivos próprios para perder tanto hoje. O semanário suíço "SonntagsZeitung" informou ontem que o banco planeja cortar 8.000 empregos, devido à previsão de problemas nos próximos anos. O porta-voz do banco, Christoph Meier, disse que a redução de custos ainda é prioridade no banco, mas ainda não havia estimativa do número de empregos que seriam eliminados.

Os investidores viram na compra do Bear Stearns um sinal de fragilidade maior que o esperado no setor bancário. O Fed aprovou uma linha de crédito de US$ 30 bilhões para financiar a compra, além de ter aprovado um programa de empréstimos para as maiores empresas de investimentos em Wall Street.

Na sexta-feira (14), o JP Morgan Chase e o Fed iriam disponibilizar recursos para o Bear Stearns por um período inicial de 28 dias. O presidente e executivo-chefe do Bear, Alan Schwartz, informou em um comunicado que "em meio ao falatório do mercado, nossa posição de liquidez (...) se deteriorou de modo significativo".

O banco foi um dos mais atingidos pela crise das hipotecas de risco atualmente em curso nos EUA. O Bear teve seu primeiro prejuízo trimestral, de US$ 854 milhões (de US$ 6,90 por ação), no período encerrado no dia 30 de novembro do ano passado, contra um lucro líquido de US$ 563 milhões um ano antes.

Fed

O BC americano ainda cortou, em um raro encontro em um fim-de-semana, sua taxa de redesconto para 3,25% e aprovou uma ajuda para empresas financeiras. A taxa de redesconto é um instrumento do Fed para conceder empréstimos de curto prazo a instituições com problemas temporários de liquidez (oferta de dinheiro).

O instrumento, no entanto, é utilizado com cautela pelas instituições financeiras: as que recorrem a empréstimos com essa taxa ficam de certo modo marcadas como instituições fragilizadas, que não conseguem empréstimos em outras fontes e têm de recorrer ao "concessor do último recurso" --papel que cabe ao Fed.

Banco da Inglaterra

Hoje o Banco da Inglaterra (banco central do Reino Unido) injetou 4,999 bilhões de libras (cerca de US$ 10 bilhões) na economia pela falta de liquidez nos mercados financeiros. Foi a primeira ação deste tipo efetuada pelo banco desde setembro, quando começou a crise creditícia mundial, e a segunda desde 2006.

Com esta operação, o Banco da Inglaterra pretende diminuir a taxa "overnight" (aplicações financeiras feitas no mercado aberto para resgate no dia útil seguinte), que ontem chegou a seu máximo desde o começo do ano.

"O banco empreenderá ações para assegurar que a taxa 'overnight' esteja próxima da oficial", indicou o Banco da Inglaterra, que assegurou que está acompanhando as condições do mercado de forma conjunta com outros bancos centrais.

Indicadores americanos

Com a movimentação em caráter emergencial do Fed e os temores sobre o setor bancário, os indicadores americanos divulgados hoje receberam pouca atenção.

O Fed de Nova York (uma das 12 divisões regionais do BC americano) informou hoje que seu índice Empire State, que mede a atividade manufatureira no Estado, registrou em março o nível mais baixo desde que começou a ser elaborado, em julho de 2001, ficando em -22,23 pontos --um índice abaixo de zero reflete que a atividade está contraindo, enquanto um número em positivo é sinônimo de crescimento.

A notícia se soma à anunciada pelo Federal Reserve em Washington de que a produção industrial em todo o país caiu 0,5% em fevereiro, a maior contração mensal desde outubro de 2007 e mais um indício de que a economia americana poderia estar entrando em recessão.

Os indicadores refletem a desaceleração na economia americana registrada no trimestre passado: entre outubro e dezembro, a economia dos EUA teve um ligeiro avanço de 0,6%, após registrar uma expansão de 4,9% um trimestre antes.

Hoje também o Departamento do Comércio informou que o déficit em conta corrente dos EUA no ano passado recuou 9% em relação ao registrado um ano antes, para US$ 738,6 bilhões, depois de ter atingido a marca recorde de US$ 811,5 bilhões em 2006. O balanço em conta corrente é uma medida mais ampla que a balança comercial do país, porque abrange não apenas o comércio de bens e serviços, mas também transferências unilaterais --que incluem recursos destinados a ajuda internacional.

 

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