Venda do Bear Stearns assusta investidores, mas Dow Jones fecha em alta
da Folha Online
Em um dia marcado pelo pessimismo sobre o setor financeiro, o índice Dow Jones Industrial Average (DJIA) encontrou espaço para fechar em ligeira alta. O pessimismo se deveu aos temores dos investidores sobre o setor bancário, após a venda do banco de investimentos Bear Stearns ao rival JP Morgan por um valor muito inferior ao valor de mercado registrado na sexta-feira (14).
O DJIA, principal indicador da Nyse (Bolsa de Valores de Nova York, na sigla em inglês), teve ligeiro ganho de 0,18%, fechando com 11.972,25 pontos, enquanto o S&P 500 caiu 0,9%, para 1.276,60 pontos. A Bolsa Nasdaq teve queda de 1,6%, indo para 2.177,01 pontos.
O Bear Stearns foi vendido ao rival JP Morgan, por US$ 236 milhões. O JP Morgan irá pagar US$ 2 por ação do Bear Stearns --para se ter uma idéia do que isso significa, os papéis do Bear não eram cotados abaixo dos US$ 20 desde 1995.
Na sexta-feira, as ações do banco fecharam cotadas a US$ 30, em uma semana em que o JP Morgan e o Federal Reserve (Fed, o BC americano) anunciaram que ajudariam a reforçar o capital do banco para evitar problemas de uma crise de liquidez.
A decisão do Fed de aprovar uma linha de crédito de US$ 30 bilhões para financiar a compra alimentou o temor de que os bancos estejam em situação mais frágil do que a prevista pelos economistas.
O Fed ainda acrescentou um pouco mais de tensão na situação já apreensiva do mercado, a realizar uma reunião de emergência neste domingo, para cortar sua taxa de redesconto para 3,25%. A taxa de redesconto é um instrumento do Fed para conceder empréstimos de curto prazo a instituições com problemas temporários de liquidez (oferta de dinheiro).
O instrumento, no entanto, é utilizado com cautela pelas instituições financeiras: as que recorrem a empréstimos com essa taxa ficam de certo modo marcadas como instituições fragilizadas, que não conseguem empréstimos em outras fontes e têm de recorrer ao "concessor do último recurso" --papel que cabe ao Fed.
Amanhã o Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês, equivalente ao Copom no Brasil) do Fed deve se reunir e decidir sobre sua taxa de juros, atualmente em 3% ao ano. A expectativa dos analistas é que o banco mantenha sua política de cortes de juros e reduza a taxa em ao menos 0,75 ponto percentual.
O Fed reduziu sua taxa em cinco ocasiões consecutivas, entre setembro do ano passado e janeiro deste ano, como forma de tentar impedir que a economia americana caia em recessão.
Indicadores econômicos
Com a movimentação em caráter emergencial do Fed e os temores sobre o setor bancário, os indicadores americanos divulgados hoje receberam pouca atenção.
O Fed de Nova York (uma das 12 divisões regionais do BC americano) informou que seu índice Empire State, que mede a atividade manufatureira no Estado, registrou em março o nível mais baixo desde que começou a ser elaborado, em julho de 2001, ficando em -22,23 pontos (um índice abaixo de zero reflete que a atividade está contraindo, enquanto um número em positivo é sinônimo de crescimento).
A notícia se soma à anunciada pelo Federal Reserve em Washington de que a produção industrial em todo o país caiu 0,5% em fevereiro, a maior contração mensal desde outubro de 2007 e mais um indício de que a economia americana poderia estar entrando em recessão.
Os indicadores refletem a desaceleração na economia americana registrada no trimestre passado: entre outubro e dezembro, a economia dos EUA teve um ligeiro avanço de 0,6%, após registrar uma expansão de 4,9% um trimestre antes.
Hoje também o Departamento do Comércio informou que o déficit em conta corrente dos EUA no ano passado recuou 9% em relação ao registrado um ano antes, para US$ 738,6 bilhões, depois de ter atingido a marca recorde de US$ 811,5 bilhões em 2006. O balanço em conta corrente é uma medida mais ampla que a balança comercial do país, porque abrange não apenas o comércio de bens e serviços, mas também transferências unilaterais --que incluem recursos destinados a ajuda internacional.
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