Economia dos EUA teve forte declínio, diz secretário do Tesouro
da France Presse, em Washington
da Folha Online
O secretário do Tesouro do Estados Unidos, Henry Paulson, reconheceu nesta terça-feira que a economia americano decaiu fortemente, mas sem mergulhar em uma recessão, a poucas horas de uma reunião-chave do Federal Reserve (Fed, o BC americano).
"O importante é que sabemos que há uma forte queda [da economia] e não há dúvida de que os americanos sabem que a economia decaiu fortemente", admitiu Paulson, entrevistado pelo canal CNBC.
No entanto, o secretário não admitiu que a primeira economia do mundo esteja em recessão. "Para mim, o importante não é o rótulo que é dado e sim o que fazemos a respeito".
A economia americana teve uma desaceleração acentuada no quarto trimestre do ano passado, quando registrou expansão de apenas 0,6% --contra 4,9% de crescimento vistos no terceiro.
A fim de tentar impedir que a economia americana entre em recessão, o Fed vem reduzindo sua taxa de juros: de setembro do ano passado até janeiro deste ano, a taxa caiu de 5,25% para os atuais 3%. Para a reunião de hoje, a expectativa dos analistas é de um novo corte de ao menos 0,75 ponto percentual.
Ontem, o presidente norte-americano, George W. Bush, voltou a reconhecer que o país vive tempos econômicos difíceis, mas assegurou que situação será controlada. "Estamos em tempos difíceis", afirmou Bush, acrescentando que as autoridades estão cuidando da situação. "Uma coisa é certa, sabemos que são tempos difíceis, mas outra coisa também é certa, vamos atuar de maneira forte e decisiva".
"Obviamente vamos continuar a monitorar a situação. E, quando for necessário, vamos agir de modo decisivo, de modo que continuemos a trazer ordem para os mercados financeiro", disse o presidente, destacando que, no longo prazo, a economia americana irá se recuperar.
Na sexta-feira (14), Bush já havia afirmado que os EUA "obviamente" estão passando por um "momento difícil", mas afirmou sua confiança na recuperação na economia. "Todas as vezes, nossa economia voltou melhor e mais forte do que antes" após períodos de desaceleração, disse Bush, em um evento no Economic Club em Nova York.
Câmbio
Bush reafirmou que defende um dólar forte --mesmo com a queda no câmbio vista nos últimos dias. O euro vem subindo e já se aproxima de US$ 1,60, enquanto a moeda americana chegou a ser negociada a 95 ienes.
Paulson sustentou ontem a posição do governo quanto à política do dólar forte e disse que não "especularia" sobre uma eventual intervenção a favor da moeda americana. "Não vou especular sobre hipóteses nem sobre intervenções (...) Temos uma política de dólar forte e esse é o interesse da nação", acrescentou.
O euro registrou novo patamar histórico nesta segunda-feira, cotado acima de US$ 1,59.
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