Dinheiro
18/03/2008 - 11h27

Lucro do Lehman Brothers cai 57% no primeiro trimestre

da Folha Online

O lucro do banco americano de investimentos Lehman Brothers caiu 57% no primeiro trimestre fiscal da empresa (período encerrado em 29 de fevereiro), ficando em US$ 489 milhões (US$ 0,81 por ação), contra US$ 1,15 bilhão no mesmo trimestre um ano antes.

A receita do banco caiu 31%, para US$ 3,5 bilhões no trimestre. A expectativa dos investidores era de um lucro de US$ 0,72 por ação, com uma receita de US$ 3,35 bilhões.

O Lehman registrou uma perda de US$ 1,8 bilhão no trimestre com as reduções nos valores dos ativos ligados aos mercados de crédito. Nos dois trimestres imediatamente anteriores, o banco registrou uma perda de valor combinada de US$ 2,13 bilhões.

A divisão de mercados de capitais registrou uma queda de 52% em sua receita, para US$ 1,7 bilhão.

O presidente e executivo-chefe do Lehman, Richard Fuld, disse que o ambiente atual de crédito permanecer "desafiador", mas que o banco mantém uma base de capital e liquidez (oferta de dinheiro) sólidas.

As preocupações quanto à liquidez do Lehman tornaram o banco alvo de especulações ontem: os investidores temiam que o banco poderia ter o mesmo destino do Bear Stearns, que foi vendido ao JP Morgan por US$ 236 milhões --muito abaixo do valor de mercado do banco.

Na sexta-feira (14) as ações do Bear encerraram o pregão na Bolsa de Valores de Nova York cotadas a US$ 30 cada; o JP Morgan, no entanto, ficou com o banco pagando US$ 2 por ação. No mesmo dia, o presidente Bear, Alan Schwartz, disse que a liquidez do banco "diminuiu de forma significativa".

A venda do Bear nessas condições foi recebida com pessimismo pelos investidores, que viram na operação um sinal de uma onda de novas perdas no setor bancário, decorrentes da crise de crédito nos EUA. A decisão do Federal Reserve (Fed, o BC americano), no domingo, de cortar sua taxa de redesconto, apenas intensificou os temores.

A taxa de redesconto é um instrumento do Fed para conceder empréstimos de curto prazo a instituições com problemas temporários de liquidez. O instrumento, no entanto, é utilizado com cautela pelas instituições financeiras: as que recorrem a empréstimos com essa taxa ficam de certo modo marcadas como instituições fragilizadas, que não conseguem empréstimos em outras fontes e têm de recorrer ao 'concessor do último recurso' --papel que cabe ao Fed.

 

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