Dinheiro
18/03/2008 - 13h14

Governo vai enviar energia para Argentina à base da troca, diz ministro

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CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) confirmou nesta terça-feira que o Brasil vai enviar energia elétrica para a Argentina. Segundo ele, haverá um sistema de troca, que será feito entre maio e julho. No caso, a Argentina devolveria a energia em data posterior.

O ministro afirmou que serão enviados entre 300 e 400 MW. "Haverá troca, e não venda. Damos alguma energia para eles à medida em que tivermos algo sobrado, e eles compensarão no passo seguinte", afirmou Lobão durante inauguração do Centro Nacional de Controle Operacional da Transpetro.

Lobão voltou a negar que o governo tenha intenção de privatizar as distribuidoras federalizadas. Segundo ele, "uma solução tem que ser encontrada para reduzir o prejuízo dessas empresas".

O ministério estuda, de acordo com o ministro, agrupar as sete distribuidoras em uma só. "Podemos até vender ações mais à frente, mas a minoria, não o controle".

Em relação á discussão entre a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e Eletrobrás sobre a CCC (Conta de Consumo de Combustíveis), o ministro declarou que está analisando o fato, mas ressaltou que não deve haver debate entre órgãos do próprio governo.

A CCC é um encargo embutido nas contas de luz para o financiamento de custos com a geração de energia à base de combustíveis fósseis, principalmente nos sistemas isolados situados basicamente na Região Norte do país. A CCC arrecadou R$ 2,9 bilhões em 2007, segundo a Aneel.

A Aneel enviou sugestão ao Ministério de Minas e Energia para tirar da Eletrobrás o controle de gestão dos recursos da CCC. A alegação é que há conflito de interesses no fato de a estatal controlar a conta e distribuidoras subsidiárias da Eletrobrás, no Norte do país, serem responsáveis pela compra do óleo combustível usado para a geração de energia nas termelétricas locais.

O diretor-geral da Aneel, Jerson Kelman, disse no mês passado que a conta poderia ter melhor gestão se houvesse licitação para a compra do combustível. Atualmente, a venda é feita apenas pela Petrobras.

 

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