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Dinheiro
18/03/2008 - 15h01

Gabrielli admite prejuízo à capacidade de financiamento da Petrobras com crise

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CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, afirmou nesta terça-feira que a crise de crédito dos Estados Unidos pode afetar a capacidade de financiamento da estatal. Ele garantiu, no entanto, que o investimento previsto pela companhia nos próximos anos não será alterado.

Segundo Gabrielli, a Petrobras poderá ter de usar mais capital próprio devido às possíveis dificuldades de busca de recursos no mercado.

"O que pode afetar é a capacidade de financiamento, de captação de recursos, não do investimento. Aí, tem que se analisar como vai se desdobrar essa crise em termos de liquidez no mercado", disse após participar de seminário no Ibef (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças).

Com previsão de captar mais US$ 5 bilhões no mercado este ano --previsão total é em torno de US$ 10 bilhões--, o executivo diz que, por hora, não há mudanças de planos. Gabrielli acrescentou, no entanto, que a Petrobras tem uma preocupação maior com o que está acontecendo no mercado e os possíveis efeitos no plano de captação.

Mais cedo, o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) já havia afirmado que a crise no mercado norte-americano não afetará os investimentos em energia no Brasil.

Petróleo

Gabrielli atribuiu ainda a disparada dos preços do petróleo à migração de capitais do mercado americano por conta da atual da crise de crédito de alto risco (subprime).

Para ele, esse movimento está gerando um aumento muito grande de contratos não-comerciais no mercado futuro de petróleo, o que significa que nem todos serão realizados fisicamente.

"O que está acontecendo é simplesmente uma troca por outros contratos. É um movimento meramente financeiro de busca de retorno", disse Gabrielli.

Gabrielli admitiu que a quebra do Bears Sterns fez com a crise adquirisse novos contornos. Ele disse que, até então, esperava uma crise "curta e leve".

"Isso pode levar a um problema de ajuste do portfólio dos investidores que não sei até quando pode chegar ao consumidor e à economia real", afirmou.

Na visão do presidente da Petrobras, a disparada dos preços do petróleo é essencialmente especulativa e carrega os efeitos da crise de crédito dos EUA.

Gasolina

Quanto aos preços da gasolina no Brasil, Gabrielli destacou que a Petrobras não tem planos de ajustes no curto prazo. " Não é pelo cenário de instabilidade que a gente vai alterar o preço no Brasil. Alteramos por outras razões, mas não vou detalhar isso".

 

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