Dinheiro
18/03/2008 - 15h27

Bolsas americanas reduzem alta após decisão do Fed de cortar juros

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da Folha Online

As Bolsas americanas, que abriram em alta nesta terça-feira, sustentam a elevação após o anúncio do Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA) de cortar a taxa básica do juros do país em 0,75 ponto percentual, para 2,25% ao ano. Também levou alívio ao mercado a divulgação dos resultados dos bancos de investimentos Goldman Sachs e Lehman Brothers, que tiveram redução de lucro, mas não chegaram a registrar perdas.

Às 15h22 (em Brasília), a Bolsa de Valores de Nova York estava em alta, com avanço de 2,23% no índice Dow Jones Industrial Average (DJIA), que ia para 12.239,61 pontos, enquanto o S&P 500 subia 2,69%, para 1.310,94 pontos. A Bolsa Nasdaq tinha ganho de 1,83%, indo para 2.216,89 pontos.

O lucro líquido do Goldman Sachs caiu 53% em seu primeiro trimestre fiscal (período encerrado em 29 de fevereiro), ficando em US$ 1,51 bilhão (US$ 3,23 por ação), contra US$ 3,2 bilhões (US$ 6,67 por ação) um ano antes. Apesar da queda, no entanto, o resultado ficou acima do esperado pelos analistas --que previam um lucro de US$ 2,58 por ação, com uma receita de US$ 7,47 bilhões.

O banco teve uma perda de US$ 2 bilhões no valor de suas hipotecas residenciais, serviços de crédito e em investimentos --dessas perdas, US$ 1 bilhão são referentes a hipotecas. A receita do banco no período teve uma queda de 35%, ficando em US$ 8,34 bilhões.

Já o Lehman Brothers reportou queda de 72% no lucro do trimestre fiscal, também encerrado em fevereiro, para US$ 489 milhões (US$ 0,81 por ação). Os analistas esperavam lucro por ação de US$ 0,72.

Os temores nos últimos dias, antes da divulgação dos resultados do Lehman, devido ao temor de que o banco tivesse o mesmo destino do Bear, que na semana passada precisou da ajuda do JP Morgan e do Fed para reforçar seu capital, mas que no domingo foi vendido, por um preço muito abaixo do valor de mercado. Na sexta-feira (14), as ações do Bear encerraram o pregão cotadas a US$ 30 cada, mas o JP Morgan conseguiu ficar com a instituição pagando apenas US$ 2 por ação.

Fed

Antes do anúncio de hoje, no domingo, o banco cortou sua taxa de redesconto para 3,25%. A taxa de redesconto é um instrumento do Fed para conceder empréstimos de curto prazo a instituições com problemas temporários de liquidez (oferta de dinheiro).

O instrumento, no entanto, é utilizado com cautela pelas instituições financeiras: as que recorrem a empréstimos com essa taxa ficam de certo modo marcadas como instituições fragilizadas, que não conseguem empréstimos em outras fontes e têm de recorrer ao "concessor do último recurso" --papel que cabe ao Fed.

Indicadores

Hoje o Departamento do Trabalho informou que o PPI (Índice de Preços ao Produtor, na sigla em inglês) subiu 0,3% nos EUA em fevereiro, após alta de 1% um mês antes. O núcleo do PPI (que exclui os preços de alimentos e energia) teve alta de 0,5% --maior avanço mensal desde novembro de 2006.

Hoje também o Departamento do Comércio informou que a construção de casas nos EUA recuou 0,6% em fevereiro, ficando em uma taxa anualizada de 1,065 milhão de unidades, depois da expansão de 7,1% em janeiro, para 1,071 milhão de unidades.

O dado de janeiro foi revisado para cima --a estimativa inicial era de uma alta de 0,8%, chegando a 1,012 milhão de unidades. O dado de fevereiro ficou abaixo do esperado pelos economistas, que previam uma queda de apenas 0,2%, para 1,010 milhão de unidades (em relação à estimativa inicial).

 

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