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Dinheiro
18/03/2008 - 16h03

Economia enfraquece mais e crise irá pesar sobre expansão, diz Fed

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da Folha Online

A nota do Federal Reserve (Fed, o BC americano) divulgada após o anúncio da decisão de reduzir sua taxa de juros para 2,25% tem elementos suficientes para causar susto em investidores e analistas. Mesmo assim, as Bolsas em Wall Street se animaram com a decisão.

No primeiro parágrafo explicativo da nota, o banco afirma que: "as informações mais recentes indicam que o panorama para a atividade econômica enfraqueceu mais"; "o crescimento nos gastos do consumidor desacelerou e os mercados de trabalho perderam força"; "os mercados financeiros permanecem sob considerável desgaste"; e "as condições de crédito e o aprofundamento da contração imobiliária devem pesar sobre o crescimento econômico nos próximos trimestres".

Apesar das perspectivas negativas, a Bolsa de Valores de Nova York operava em alta de 2,54% no índice Dow Jones Industrial Average às 16h02 (em Brasília); o S&P 500 subia 3,19% no mesmo horário e a Bolsa Nasdaq subia 3,13%.

Apesar dos cinco cortes consecutivos antes do que foi anunciado hoje, a economia americana ainda não reagiu. Depois de um crescimento de 4,9% no terceiro trimestre do ano passado, o PIB (Produto Interno Bruto) americano teve ligeira variação positiva de 0,6% no quarto.

Além disso, o mercado de trabalho de fato perdeu força: em janeiro foram eliminados 22 mil postos de trabalho e, em fevereiro, outros 63 mil.

A nota prossegue em tom negativo, destacando que a inflação permanece elevada e as expectativas de inflação subiram. No mês passado, tanto o CPI (índice de preços ao consumidor, na sigla em inglês) como seu núcleo ficaram estáveis, mas o núcleo dos preços no atacado (que exclui os preços de alimentos e energia) subiu 0,5% --maior avanço mensal desde novembro de 2006.

"O Comitê [Federal de Mercado Aberto, do Fed, equivalente ao Copom no Brasil] espera que a inflação fique mais moderada nos próximos trimestres, refletindo uma projeção de nivelamento nos preços da energia e de outras commodities", diz a nota. No curto prazo, no entanto, a pressão, ao menos no setor de energia, deve se manter: o petróleo nas últimas semanas bateu recordes sucessivos e chegou a se aproximar dos US$ 112.

A nota destaca, no entanto, que as pressões inflacionárias aumentaram e que será necessário monitorar os movimentos dos preços com cuidado.

"A ação política de hoje, combinada com as que foram tomadas antes, incluindo medidas para ampliar a liquidez do mercado, deve promover o crescimento moderado ao longo do tempo e reduzir os riscos para a atividade econômica", diz a nota --que, no entanto, destaca os riscos de baixa na economia, que ainda permanecem.

Estímulo

Além das medidas do Fed para tentar impulsionar a economia, o governo também vem adotando iniciativas para impedir a recessão no país.

No mês passado, o presidente americano, George W. Bush, sancionou um pacote de estímulo econômico ao país que dará cheques de restituição de impostos a milhões de norte-americanos. A estimativa inicial do Tesouro americano era de começar a enviar os cheques em 60 dias a partir da aprovação das medidas, ou seja, maio. Mais de 130 milhões de pessoas serão beneficiadas.

O pacote prevê uma restituição de US$ 600 para cada contribuinte com renda anual de até US$ 75 mil; e US$ 1.200 para casais com renda até US$ 150 mil, além de US$ 300 adicionais por filho. Quem não não paga imposto de renda, mas recebe o teto de US$ 3 mil anuais, terá direito a cheques de US$ 300.

No início deste mês, Bush chegou a pedir aos contribuintes que serão beneficiados com os cheques do pacote que gastem, e não guardem em poupanças, ou invistam e mesmo paguem dívidas.

 

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