Bancos revisam para cima estimativa para alta do PIB, diz pesquisa
da Folha Online
Pesquisa divulgada pela Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) nesta terça-feira mostra que os 36 bancos que responderam ao questionário revisaram para cima a estimativa de alta para o PIB de 2008 e 2009. A pesquisa foi feita após a divulgação da ata do Copom do dia 13 de março.
A projeção média para o crescimento do PIB em 2008 subiu de 4,52% para 4,63%, enquanto a previsão média para 2009 foi de 4,15% para 4,20%.
Os analistas também interpretaram que o Copom adotou tom mais assertivo em sua ata, no sentido de promover alterações em sua política monetária se detectar que os riscos inflacionários aumentaram.
O IBGE divulgou no último dia 12 o resultado do PIB em 2007 que mostrou crescimento de 5,4%, acima da expectativa média captada pela pesquisa da Febraban, que previa uma expansão de 5,12%. Todos os principais setores registram crescimento no ano passado, sendo que a agropecuária teve expansão de 5,3%, o setor industrial, de 4,9% e o setor de serviços, 4,7%. Neste último segmento, destaque para expansão de 13% registrada no subsetor de intermediação financeira e seguros.
Pela ótica da demanda, a pesquisa ressalta a expansão de 13,4% da formação bruta de capital fixo, que registrou a maior taxa anual de crescimento desde o início da série, em 1996. Além disso, a pesquisa da Febraban também destaca o crescimento de 6,5% do consumo das famílias impulsionado tanto pelo aumento da massa salarial dos trabalhadores quanto pelas operações de crédito para pessoas físicas.
Quanto às projeções dos bancos para inflação, a projeção média para o IPCA em 2008 ficou no mesmo patamar da pesquisa anterior, em 4,48%, enquanto a estimativa para 2009 subiu ligeiramente, de 4,26% para 4,30%.
Quanto às projeções para o IGP-M, tanto para 2008 quanto para 2009 apresentaram pequena elevação, de 5,07% para 5,22% e de 4,34% para 4,40%, respectivamente.
Apesar da expectativa majoritária de manutenção da taxa Selic em 11,25% em 2008 e mesmo com a possibilidade de elevação da taxa básica de juros, as expectativas continuam favoráveis também para as operações de crédito. A projeção média de crescimento das operações de crédito da carteira total aumentou ligeiramente de 20,9% na pesquisa anterior para 21,8%, sendo que a previsão para expansão das operações para pessoa física foi de 25,6% para 25,9%, enquanto para pessoa jurídica passou de 21,4% para 23,1%.
A maioria dos analistas pesquisados espera que a taxa básica de juros permaneça inalterada ao longo de 2008. Além disso, há parcela crescente do mercado que aposta na elevação da taxa de juros neste ano, principalmente, a partir do segundo semestre e, ao contrário das pesquisas anteriores, agora são poucos os analistas que esperam que o Copom promova novos cortes de juros neste ano.
Para que novas reduções dos juros possam voltar a ocorrer, os analistas apontam que é necessário que a inflação corrente ou as expectativas de inflação cedam. Também destacam que é preciso acompanhar se existe descompasso entre demanda e oferta na economia, ou seja, se os investimentos estão maturando de tal modo a ampliar a capacidade de oferta e atender de forma adequada à expansão da demanda.
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