Dólar fecha com perda de quase 2%, a R$ 1,69; Bovespa sobe
da Folha Online
A cotação do dólar comercial apresentou forte queda nesta terça-feira, aproveitando o dia positivo nos mercados brasileiro e internacional.
A moeda americana fechou cotada a R$ 1,69 para a venda, com queda de 1,97%. Já nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo recuou 1,63%, vendido a R$ 1,80.
Nem mesmo o leilão de compra de dólares do Banco Central, realizada no início da tarde, foi suficiente para inverter a cotação. No leilão, o BC comprou dólares com taxa de corte de R$ 1,7059.
Já na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), o pregão ampliou os ganhos que vinham desde o início das operações, em linha com o mercado americano. O Ibovespa --principal indicador da Bolsa paulista-- avança 2,83%, para 61.707 pontos, por volta das 16h25. O giro financeiro é de R$ 4,74 bilhões, com cerca de 183 mil negócios realizados.
Nas Bolsas americanas, o índice Dow Jones avança 2,65%, e o tecnológico Nasdaq Composite tem ganho de 3,42%.
O bom humor do dia advém do enfraquecimento dos temores sobre a crise do crédito imobiliário de alto risco ("subprime") nos Estados Unidos, e da confirmação do corte de 0,75 ponto percentual nos juros americanos promovido pelo Fed (Federal Reserve, o BC daquele país).
Porém, o comunicado do Fed foi bastante pessimista --o que levou os mercados a reduzirem por alguns momentos os ganhos após a decisão. "As condições de crédito e o aprofundamento da contração imobiliária devem pesar sobre o crescimento econômico nos próximos trimestres", apontou o documento.
Essa decisão do Fed tem como objetivo ajudar a manter ou até elevar a cessão de crédito nos Estados Unidos --considerado o principal motor da economia local, atualmente com sinais claros de desaceleração.
As Bolsas brasileira e americanas estão em alta desde o início da manhã, com a divulgação dos resultados do primeiro trimestre fiscal do Goldman Sachs e, principalmente, do Lehman Brothers. Mesmo apresentando reduções, foram vistos de forma otimista porque vieram acima do esperado pelos analistas.
O lucro líquido do Goldman Sachs teve queda de 53% no primeiro trimestre fiscal (período encerrado em 29 de fevereiro), ficando em US$ 1,51 bilhão (US$ 3,23 por ação), contra US$ 3,2 bilhões (US$ 6,67 por ação) um ano antes. O resultado ficou acima do esperado pelos analistas, que era de US$ 2,58
Já o Lehman Brothers reportou redução de 72% no lucro do trimestre fiscal, também encerrado em fevereiro, para US$ 489 milhões (US$ 0,81 por ação). Os analistas esperavam lucro por ação de US$ 0,72.
Depois da quase falência do Bear Stearns --salvo pelo JP Morgan, que o comprou por US$ 236 milhões-- os investidores viram no Lehman Brothers uma potencial nova vítima da crise do crédito imobiliário de alto risco ('subprime'), fazendo o preço das ações do banco cair mais de 20% ontem. O resultado do Lehman faz com que o mercado se acalme. A ação do banco sobe 41,7%.
Por tabela, instituições financeiras que tiveram fortes quedas ontem --como National City, MF Global, Ambac e Countrywide-- hoje apresentam altas de mais de 10%.
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