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Dinheiro
18/03/2008 - 17h34

Puxada pelo Fed e otimismo sobre bancos dos EUA, Bovespa sobe 3,2%

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YGOR SALLES
da Folha Online

Depois de ter um pregão marcado pelo medo da ampliação da crise do crédito imobiliário de alto risco ("subprime") nos EUA, na segunda-feira, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) devolveu hoje as perdas, seguindo de perto o desempenho do mercado nos Estados Unidos.

O bom humor foi causado pelo enfraquecimento dos temores sobre a saúde financeira dos bancos americanos e pela confirmação do corte de 0,75 ponto percentual nos juros do país promovido pelo Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA).

O Ibovespa --principal indicador da Bolsa paulista-- avançou 3,2%, para 61.932 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,78 bilhões, em linha com a movimentação média desse ano, com cerca de 206 mil negócios realizados. Já o dólar comercial fechou cotado a R$ 1,69 para a venda, com queda de 1,97%.

O mercado brasileiro andou em linha com as Bolsas americanas, que também fecharam com fortes altas. O índice Dow Jones avançou 3,51%, enquanto que o tecnológico Nasdaq Composite teve alta de 4,19%.

"Enquanto o mercado estiver volátil, seguiremos colados ao mercado americano. Depois que passar a turbulência, aí poderemos crescer mais, aproveitando os fundamentos macroeconômico que temos", diz Alcides Leite, professor de mercado de capitais da Trevisan Escola de Negócios.

As Bolsas brasileira e americanas estiveram em alta desde o início da manhã, com a divulgação dos resultados do primeiro trimestre fiscal do Goldman Sachs e, principalmente, do Lehman Brothers. Mesmo apresentando reduções, os lucros dos bancos foram vistos de forma otimista porque vieram acima do esperado pelos analistas.

O lucro líquido do Goldman Sachs teve queda de 53% no primeiro trimestre fiscal (período encerrado em 29 de fevereiro), ficando em US$ 1,51 bilhão (US$ 3,23 por ação), contra US$ 3,2 bilhões (US$ 6,67 por ação) um ano antes. O resultado ficou acima do esperado pelos analistas, que era de US$ 2,58

Já o Lehman Brothers reportou redução de 72% no lucro do trimestre fiscal, também encerrado em fevereiro, para US$ 489 milhões (US$ 0,81 por ação). Os analistas esperavam lucro por ação de US$ 0,72.

Depois da quase falência do Bear Stearns --salvo pelo JP Morgan, que o comprou por US$ 236 milhões-- os investidores viram no Lehman Brothers uma potencial nova vítima da crise do subprime, fazendo o preço das ações do banco cair mais de 20% ontem. O resultado do Lehman faz com que o mercado se acalme. A ação do banco subiu 43,2%.

Por tabela, instituições financeiras que tiveram fortes quedas ontem --como National City, MF Global, Ambac e Countrywide-- hoje apresentam altas de mais de 10%.

Fed

Apesar de ter confirmado o corte de 0,75 ponto percentual que o mercado esperava, o Fed trouxe um panorama bastante pessimista no comunicado da reunião do Fomc (Comitê de Mercado Aberto, na sigla em inglês).

"As condições de crédito e o aprofundamento da contração imobiliária devem pesar sobre o crescimento econômico nos próximos trimestres", apontou o documento.

Com isso, as Bolsas americanas e brasileira chegaram a ter um momento de hesitação após a divulgação da nova taxa de juros americana, mas logo se recuperaram.

O corte na taxa de juros tem efeitos tanto na economia "real" como no mercado acionário. Na economia "real", faz com que os juros para crédito fiquem menores, incentivando o consumo e, consequentemente, fomentando o crescimento econômico. No mercado financeiro, significa que os títulos públicos americanos ficarão menos atrativos, forçando o investidor a procurar outros investimentos --ações, por exemplo.

O Brasil é beneficiado quase que imediatamente pelo segundo efeito, já que os investidores à procura de maior rendimento aportam seus recursos nas Bolsas, em especial os dos países emergentes.

"Há uma percepção clara de que a crise é profunda e extensa", disse Leite, da Trevisan. "O Fed poderia ter dado um corte maior, mas perderia poder de fogo para o caso da crise continuar. Mantendo cortes em linha, mostram constantemente que estão de olho nos acontecimentos."

Segundo ele, será necessário fazer uma "limpeza" no mercado financeiro americano, o que inclusive pode custar a quebra de mais algumas instituições financeiras no país --como ocorreu com o Bear Stearns.

 

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