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Dinheiro
19/03/2008 - 11h38

Banco do Japão fica sem comando em plena crise econômica

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da Efe, em Tóquio

O Banco do Japão (BOJ, banco central japonês), órgão responsável pela política monetária japonesa, fica, a partir de hoje, sem comando, em um momento-chave para a economia internacional, depois que a oposição rejeitou três nomes sugeridos pelo Executivo para dirigir a instituição.

Mesmo com o encerramento do mandato de cinco anos do atual dirigente do banco central, Toshihiko Fukui, a Câmara Alta japonesa rejeitou, com 125 votos contra 112, o nome de Koji Tanami, ex-burocrata do Ministério das Finanças, para ser seu substituto.

O veto torna inútil o apoio dado a Tanami pela Câmara Baixa e deixa o banco central japonês sem governador pela primeira em mais de meio século.

A oposição já havia rejeitado a candidatura do até hoje vice-governador do BOJ, Toshiro Muto, e a possibilidade de extensão do mandato de Fukui, atual governador.

O primeiro-ministro do Japão, Yasuo Fukuda, afirmou hoje estar consciente de sua responsabilidade sobre a ausência de poder no BOJ, logo depois de seu porta-voz, Nobutaka Machimura, ter afirmado que não irá dissolver o Parlamento.

O Partido Democrata do Japão (PDJ) argumentou que o veto às nomeações de Muto, Tanami e Fukui se deu devido à falta de preparo e à falta de independência dos candidatos.

A paralisação do BOJ envia aos mercados internacionais sinais de instabilidade em um momento crítico para a economia mundial e, especialmente, para a japonesa.

Após um 2007 de grandes lucros para as grandes corporações exportadoras japonesas --graças à cotação do dólar, que se estabilizou em cerca de 110 ienes-- o ano de 2008 começou com uma grande valorização do iene, um fenômeno grave para uma economia como a japonesa, dependente das exportações.

Na última segunda-feira, o dólar chegou a 95 ienes e, após o corte na taxa de juros do Federal Reserve (Fed, banco central americano), hoje foi cotado abaixo dos 100 ienes, um valor que diminui significativamente o lucro das empresas japonesas.

O cargo de governador do Banco do Japão deve ser referendado pelas duas Casas Parlamentares, e por isso, qualquer nome indicado não poderá ser confirmado sem o apoio da oposição.

O Partido Liberal-Democrata (PLD), atualmente no Governo, culpou o opositor PDJ. O secretário-geral do PDJ, Yukio Hatoyama, respondeu aos protestos se eximindo de culpa.

"A responsabilidade é do governo, pois propôs um candidato que já sabia que seria rejeitado", disse.

A troca de acusações é conseqüência de um Parlamento japonês dividido, com a Câmara Baixa controlada pelo Governo e a Câmara Alta dominada pela oposição.

A Constituição japonesa não prevê uma situação como esta, provocada pela vitória da oposição nas eleições do Senado no ano passado, que deu ao PDJ um poder e veto inusitado e repetidamente utilizado.

Apesar de o Parlamento não ter decidido ainda quem será o próximo governador do banco central, a oposição apoiou as nomeações de Kiyohiko Nishimura, atual membro do órgão decisório do BOJ, e de Masaaki Shirakawa, professor da Universidade de Kioto, para os cargos de vice-governador do órgão.

Enquanto isso, segundo a agência Kyodo, o governo já começou a pensar na possibilidade de modificar a lei, através de uma mudança na cláusula que exige a aprovação das duas Câmaras para que se confirme a escolha do governador do BOJ.

 

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