Dinheiro
19/03/2008 - 17h04

Fed manterá queda de juros de olho no crescimento, dizem analistas

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da France Presse

Apesar das preocupações crescentes em relação à inflação, o Banco Central americano indicou claramente, após a reunião de terça-feira, que manterá sempre o crescimento à frente de suas prioridades, o que os analistas interpretam como uma promessa de futuras reduções das taxas.

O Federal Reserve (Fed) cortou a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual para situá-la em 2,25%, assim como, de urgência, sua taxa de redesconto, para fixá-la em 2,50%.

O Banco Central traçou um panorama sombrio da economia. "As perspectivas são menores para a atividade", indicou, ressaltando as crescentes tensões nos mercados e o agravamento da crise imobiliária.

Para afastar esses riscos, o Fed repetiu que agirá "no momento que julgar necessário" para enfrentar os problemas do crescimento, enviando uma mensagem clara.

"O tom geral do comunicado levou a crer que haverá outras reduções de taxas no futuro", frisa Charmaine Buskas do grupo TD Bank.

"O ponto-chave é desbloquear os mercados de crédito e recuperar a máquina. A economia se normailizará naturalmente e, estimulando-a suficientemente, o Fed pode levá-la a uma aterrissagem tranqüila", acrescenta o economista, que prevê diminuições de taxas "consideráveis" a curto prazo.

Após a decisão do Fed, alguns economistas prevêem que a taxa diretora deve cair até 1,50% até o final do ano.

Os mercados sem dúvida viram a mesma coisa, e fecharam em forte alta na terça-feira em Nova York.

"O que fez os mercados reagirem positivamente foi que o Fed respondeu resolutamente à escalada dos riscos econômicos e à crise financeira nos seis últimos meses", indica Brian Bethune da Global Insight.

O Banco Central provou que permanecia atento e pronto para agir com a rapidez e a inovação, como fez nas últimas semanas ao reduzir suas taxas com urgência, lançando linhas de financiamento inéditas e organizando a operação de salvamento de um banco em perigo.

"A próxima diminuição das taxas poderá ocorrer não importa quando, não apenas durante a próxima reunião prevista para os dias 29 e 30 de abril", indica o economista independente Joel Naroff.

Os analistas ressaltam também que a decisão de terça-feira foi tão espetacular que foi estipulada em meio a fortes reticências dentro da própria instituição monetária.

Dois governadores votaram contra o corte das taxas, algo que não era visto desde 2002, evocando os riscos de inflação. O comunicado destaca amplamente o aumento das incertezas pesando sobre os preços.

"Isto significa sem dúvida que assim que puder, o Fed agirá rapidamente para absorver as fortes baixas de taxas e o aumento de liquidez para manter a inflação sob controle", disse Naroff.

No entanto, se o cenário econômico se desenvolver como o previsto, a ameaça inflacionária ficará amenizada com desaceleração do crescimento.

"Para o Fed, a escolha já não é mais a inflação contra o crescimento", afirmou Stephen Gallagher, do Société Générale.

"O dilema é a inflação contra um desmoronamento muito mais sério do sistema financeiro, e o risco financeiro empalidece em comparação", acrescentou.

 

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