Dinheiro
19/03/2008 - 17h28

Barril de petróleo cai mais de 4% com temor sobre demanda

da Folha Online

O preço do barril de petróleo nos Estados Unidos fechou em queda superior a 4% nesta quarta-feira, com preocupações com sobre uma possível queda na demanda pela commodity. De acordo com a agência Reuters, a queda em dólares é a mais forte desde janeiro de 1991. Já em porcentual, é o maior recuo desde 6 de agosto.

Na Nymex, o contrato para abril caiu 4,51%, a US$ 104,48 por barril, após ser negociado entre US$ 102,95 e US$ 108,98. Na última segunda-feira, o petróleo atingiu um recorde a US$ 111,80. Em Londres, o petróleo tipo Brent recuou 4,84%, para US$ 100,72 por barril, sendo negociado entre US$ 101,16 e US$ 105,10.

O inesperado recuo das reservas de gasolina e uma leve alta nas reservas de petróleo nos Estados Unidos não fizeram muita diferença hoje, segundo disse Mike Fitzpatrick, vice-presidente da MF Global, à agência Reuters. "As pessoas estão olhando para o quadro macro e estão preocupados com a economia. As fortes oscilações durante os últimos dias apontam para uma grande incerteza."

A AIE (Administradora de Informações Energéticas) anunciou que as reservas do petróleo nos EUA da última semana aumentaram 200 mil barris, para 311,8 milhões de barris, muito abaixo das perspetivas de analistas.

A maior parte dos analistas esperava um aumento bem maior, de 2,3 milhões de barris nos estoques de petróleo. Para a gasolina, a expectativa era de alta de 400 mil barris, e para os derivados, queda de 1,5 milhão de barris. A interpretação foi que houve uma desaceleração de cerca de 3,2% na demanda nas últimas quatro semanas sobre o mesmo período no ano anterior.

O preço do barril bateu recorde, fechando acima de US$ 111, na última segunda-feira, depois que o Federal Reserve (Fed, o BC americano) anunciou um corte em sua taxa de redesconto, que caiu para 3,25%. Ontem, o Fed reduziu a taxa de juros oficial para 2,25%.

Juros mais baixos tendem a afastar os investidores de um país, que passam a procurar outros mercados, onde os retornos sejam maiores. Com juros mais baixos e o dólar perdendo valor, o barril do petróleo (que é cotado em dólares) fica mais acessível, impulsionando a demanda.

A iminência de uma recessão nos EUA, no entanto, faz com que aumentem os temores de uma queda no consumo da commodity no país, o que deixaria petróleo sobrando no mercado, aliviando a pressão da demanda.

"Os investidores finalmente estão se dando conta que o crescimento econômico está em vias de enfraquecer, que a economia está ameaçada nos Estados Unidos após as dificuldades enfrentadas pelo sistema financeiro, o que vai se traduzir em uma baixa da demanda petroleira", explicou Bart Melek, analista da consultoria BMO Capital, à agência France Presse.

 

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