Mantega quer expandir investimento em setores mais aquecidos
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
O ministro Guido Mantega (Fazenda) vai discutir com os setores mais aquecidos da economia formas de estimular os investimentos. A preocupação do governo é garantir que o atual ritmo de crescimento seja sustentável no longo prazo.
"Preferimos um crescimento de 5% em um prazo de dez, 15, 20 anos consecutivos do que um rompante de crescimento que precise ser abortado em função de desequilíbrios que possam acontecer", afirmou o ministro nesta segunda-feira.
Os setores automobilístico e siderúrgico estão entre os que serão procurados. O principal desafio, para Mantega, é garantir que o crescimento continue equilibrado e que as empresas tenham condições de atender ao crescimento da demanda. Foram escolhidos os setores que estão com expansão acima de 15%.
Além disso, o ministro alertou que alguns dos setores que precisam de mais investimentos podem ser beneficiados na política industrial que será divulgada em abril pelo governo federal.
"Poderemos gerar condições mais favoráveis para os setores que precisem crescer mais [para atender a demanda]. Temos que estimular esses setores a aumentar os investimentos."
Crédito
Mantega negou ainda que o governo federal vá tomar alguma medida para limitar o prazo das operações de crédito no Brasil. Descartou também que o assunto tenha sido discutido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem teve uma reunião nesta tarde.
Segundo o ministro, ainda nessa semana haverá uma reunião com os representantes das principais instituições financeiras para avaliar se há realmente segurança nos financiamentos que estão sendo concedidos com prazos mais longos. A reunião vai ocorrer mesmo com Mantega afirmando que os bancos no Brasil agem de forma prudente.
"O sistema financeiro brasileiro é muito prudente, tanto que não está envolvido nessa crise que é uma crise de imprudência que aconteceu nos EUA. Aqui no Brasil, os bancos estão indo bem, entre outras coisas porque são prudentes. Não costumam cometer nenhuma aventura", defendeu Mantega.
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