BC estima que crédito chegará a 40% do PIB ao final do ano
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
O Banco Central aposta que o crédito terá uma expansão de pelo menos 20% neste ano e que dessa forma o total dessas operações chegará a 40% do PIB (Produto Interno Bruto) ao final do ano. Hoje, está em 34,9%.
"Temos uma expectativa de crescimento de 20% a 25% no total de crédito, o que poderá levar o volume para 40% na comparação com o PIB, o que não é elevado se comparado com outras economias", afirmou Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do BC.
O volume atual de crédito no país já é o mais elevado desde maio de 1995, quando estava em 35,1%.
Ontem, o ministro Guido Mantega (Fazenda) negou que o governo tenha a intenção de adotar medidas para conter a expansão do crédito no país, como a limitação do prazo de pagamento.
O patamar de crescimento do crédito no país está acima de 20% nos últimos quatro anos. Mantega defendeu que o que não pode ocorrer é uma aceleração excessiva dessa expansão.
Para Lopes, esse patamar de crescimento é considerado confortável. Na parcial de março (oito dias úteis), a expansão de é 2%, contra 1,1% em fevereiro. Ele admite, no entanto, que algumas modalidades crescem a um ritmo superior, como o leasing, que em fevereiro teve alta de 5,2%, sendo 8,4% só nas operações com pessoas físicas. No acumulado de 12 meses, o crescimento dessa modalidade é de 96,4%, impulsionada principalmente pela venda de veículos.
"Esses financiamentos vêm em linhas com o comportamento do mercado de automóveis", explicou Lopes.
Volume
As operações de crédito totalizaram R$ 957,581 bilhões em fevereiro, uma alta de 1,1%.
Os valores levam em conta os recursos livres e direcionados, ou seja, aqueles como os empréstimos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e o financiamento habitacional.
O estoque de crédito com recursos livres era de R$ 679,106 bilhões, um crescimento de 1,3% no mês e de 32,8% no acumulado de 12 meses.
Com esses recursos, o maior aumento no mês de fevereiro ocorreu nas operações destinadas às pessoas físicas, 1,7%, chegando a R$ 329,665 bilhões. Já para as empresas (R$ 349,441 bilhões) a expansão foi de 1%.
Já a parcela correspondente aos recursos direcionados somou R$ 278,475 bilhões, um crescimento de 0,6% no mês de fevereiro.
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