Rio terá reajuste de 5% com novo contrato entre Petrobras e CEG
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
O gás natural consumido nas residências do Rio de Janeiro ficará pelo menos 5% mais caro nos próximos 18 meses, com o acordo fechado nesta terça-feira entre Petrobras e a distribuidora local de gás natural, a CEG (). Esse percentual não leva em conta a correção trimestral do gás que é feita pela Petrobras sobre a cesta de petróleo e gás natural [que leva em conta a cotação do petróleo], ou seja, o reajuste ao longo de um ano e meio poderá ser ainda maior.
O novo contrato, assinado nesta terça-feira, prevê um novo cálculo que elevará o preço do gás natural ainda mais. A projeção dos 5% adicionais foi feita pelo presidente da CEG, Bruno Armbrust. Ele não projetou o aumento para outros consumidores, como os da classe industrial.
Pelo acordo, a Petrobras vai elevar o atual fornecimento de gás natural à distribuidora, de 7,5 milhões de metros cúbicos/dia, para até 9,4 milhões de metros cúbicos/dia em 2012. Ao contrário do atual contrato, o novo acordo entre as empresas prevê flexibilidade em parte do fornecimento do gás. Dentro de um ano, 1 milhão de metros cúbicos/dia do gás fornecido à CEG poderá ser desviado para outros setores ou mesmo interrompido pela Petrobras. Até 2012, o volume flexível chegará a 1,5 milhão de metros cúbicos/dia.
Petrobras e CEG ainda vão discutir com as indústrias os volumes que serão interruptíveis (que poderão ser cortados a qualquer momento) e os firme flexíveis (que poderão ser desviados de um setor para outro).
'Saímos de uma dificuldade contratual para modalidades diferentes no fornecimento de gás', afirmou a diretora de gás e energia da Petrobras, Maria das Graças Foster.
A dificuldade que a executiva mencionou tem relação com a crise ocorrida entre Petrobras e CEG no final de outubro de 2007. Obrigada a cumprir acordo de fornecimento de gás para as usinas termelétricas firmado com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), a Petrobras cortou parte do fornecimento de gás ao Rio de Janeiro. Chegou a faltar GNV (gás natural veicular) em postos, e em gás em algumas zonas industriais.
A CEG conseguiu restabelecer o fornecimento na Justiça. A Petrobras alegava que enviava gás acima do previsto --o contrato anterior estipulava 5,9 milhões de metros cúbicos/dia-- mas a CEG respondia que não poderia deixar de fornecer um insumo fundamental à população.
"Este acordo dá fim a um problema que não foi solucionado por um tempo. Não foi um contrato simples e fácil. Ele assegura o volume atual e permite crescimento. Novos empreendimentos industriais poderão se instalar no Rio que terão gás", destacou Bruno Armbrust.
Leia Mais
- Petroleiras defendem maior taxação sobre campos de petróleo
- Presidente da Repsol diz que preço da gasolina no Brasil é irreal
- BC descarta reajuste da gasolina e do gás mesmo com petróleo a US$ 110
- Para Amorim, investir na Bolívia é solução para fornecimento de gás
- Livro ensina famílias a organizar o orçamento da casa
Especial

