31/12/2001
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09h02
da Folha de S.Paulo, em Paris
À 0h de amanhã, 304 milhões de europeus começam a dar adeus a suas antigas moedas e passam a adotar uma nova, o euro, que será a divisa comum de 12 países -Portugal, Espanha, França, Luxemburgo, Bélgica, Holanda, Irlanda, Finlândia, Alemanha, Áustria, Itália e Grécia.
A partir desse instante, os caixas eletrônicos dos países vão estar disponíveis para saques em euro e os comerciantes deverão obrigatoriamente dar o troco nessa moeda, iniciando o processo de circulação do novo dinheiro.
Trata-se de um momento de grande importância histórica, pois representa o principal passo da unificação européia e a consolidação do segundo pólo monetário do mundo, depois dos EUA.
A chegada do euro será festejada no dia 1º em todos os países. No dia 2, porém, quando terminar o feriado, a festa pode se transformar em pesadelo, sobretudo na França, onde está prevista uma greve do setor bancário.
Um apelo à paralisação foi feito por vários sindicatos a mais de 400 mil funcionários de bancos privados e 40 mil do setor estatal. Até a última sexta-feira, apenas um acordo, com o banco BNP Paribas, havia sido alcançado.
Os sindicatos reivindicam aumento de salários e melhores condições de trabalho e segurança. O ministro francês da Economia, Laurent Fabius, exortou os bancários a terem "responsabilidade" e a "não estragar essa mudança histórica". Os bancos evocaram o "patriotismo europeu" dos funcionários.
A greve é a principal inquietação das autoridades francesas. Mas não é a única. Há o risco de os caixas eletrônicos, que serão de início os principais fornecedores da nova moeda, não funcionarem direito ou terem menos dinheiro que a demanda.
Teme-se também que os comerciantes não disponham de troco suficiente em euro para os primeiros dias. Na França, calcula-se que 7% dos supermercados não poderão devolver o troco na moeda no começo de janeiro.
As preocupações são compartilhadas por outros países. Na Itália, o fornecimento de notas em euro para as grandes lojas foi feita no último momento. Na Alemanha, o marco deixa de ter validade já no dia 1º, o que pode complicar as transações. Nos demais países, as moedas antigas serão aceitas até o fim de fevereiro, conforme datas variadas.
Prevê-se uma movimentação bancária sem paralelo nos países, nos primeiros dias, o que aumenta a apreensão com a segurança. A utilização de cartões eletrônicos para pagamento também deverá ser muito superior ao comum e pode causar congestionamento nos sistemas tecnológicos.
Há ainda a confusão social gerada pela lentidão e as filas nos caixas, que deverão fazer conversões da moeda antiga para a nova. O aumento dos preços, sobretudo na forma de arredondamento dos valores, gerando inflação, é outro dos problemas que podem advir da passagem para o euro.
A nova unidade monetária foi decidida em 1999 por 12 dos 15 países que compõem a União Européia (UE). Reino Unido, Suécia e Dinamarca preferiram permanecer com suas moedas próprias.
Na última sexta-feira, os sindicatos britânicos e os liberais-democratas (terceira formação política da Grã-Bretanha) fizeram um apelo para que o governo organize um referendo sobre a adesão do país ao euro. Em seu discurso de Ano Novo, o primeiro-ministro da Inglaterra, Tony Blair, afirmou que "é do nosso interesse que o euro tenha sucesso".
Blair já se manifestou por uma maior integração com o continente europeu. Os britânicos decidiram que só vão aderir se a moeda passar por um "teste" que inclui, entre outros pontos, verificar se ela é boa para o emprego e para o investimento estrangeiro.
Com agências internacionais
Saiba tudo sobre o euro
Euro estréia amanhã com ameaça de greve e temor de inflação
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ALCINO LEITE NETOda Folha de S.Paulo, em Paris
À 0h de amanhã, 304 milhões de europeus começam a dar adeus a suas antigas moedas e passam a adotar uma nova, o euro, que será a divisa comum de 12 países -Portugal, Espanha, França, Luxemburgo, Bélgica, Holanda, Irlanda, Finlândia, Alemanha, Áustria, Itália e Grécia.
A partir desse instante, os caixas eletrônicos dos países vão estar disponíveis para saques em euro e os comerciantes deverão obrigatoriamente dar o troco nessa moeda, iniciando o processo de circulação do novo dinheiro.
Trata-se de um momento de grande importância histórica, pois representa o principal passo da unificação européia e a consolidação do segundo pólo monetário do mundo, depois dos EUA.
A chegada do euro será festejada no dia 1º em todos os países. No dia 2, porém, quando terminar o feriado, a festa pode se transformar em pesadelo, sobretudo na França, onde está prevista uma greve do setor bancário.
Um apelo à paralisação foi feito por vários sindicatos a mais de 400 mil funcionários de bancos privados e 40 mil do setor estatal. Até a última sexta-feira, apenas um acordo, com o banco BNP Paribas, havia sido alcançado.
Os sindicatos reivindicam aumento de salários e melhores condições de trabalho e segurança. O ministro francês da Economia, Laurent Fabius, exortou os bancários a terem "responsabilidade" e a "não estragar essa mudança histórica". Os bancos evocaram o "patriotismo europeu" dos funcionários.
A greve é a principal inquietação das autoridades francesas. Mas não é a única. Há o risco de os caixas eletrônicos, que serão de início os principais fornecedores da nova moeda, não funcionarem direito ou terem menos dinheiro que a demanda.
Teme-se também que os comerciantes não disponham de troco suficiente em euro para os primeiros dias. Na França, calcula-se que 7% dos supermercados não poderão devolver o troco na moeda no começo de janeiro.
As preocupações são compartilhadas por outros países. Na Itália, o fornecimento de notas em euro para as grandes lojas foi feita no último momento. Na Alemanha, o marco deixa de ter validade já no dia 1º, o que pode complicar as transações. Nos demais países, as moedas antigas serão aceitas até o fim de fevereiro, conforme datas variadas.
Prevê-se uma movimentação bancária sem paralelo nos países, nos primeiros dias, o que aumenta a apreensão com a segurança. A utilização de cartões eletrônicos para pagamento também deverá ser muito superior ao comum e pode causar congestionamento nos sistemas tecnológicos.
Há ainda a confusão social gerada pela lentidão e as filas nos caixas, que deverão fazer conversões da moeda antiga para a nova. O aumento dos preços, sobretudo na forma de arredondamento dos valores, gerando inflação, é outro dos problemas que podem advir da passagem para o euro.
A nova unidade monetária foi decidida em 1999 por 12 dos 15 países que compõem a União Européia (UE). Reino Unido, Suécia e Dinamarca preferiram permanecer com suas moedas próprias.
Na última sexta-feira, os sindicatos britânicos e os liberais-democratas (terceira formação política da Grã-Bretanha) fizeram um apelo para que o governo organize um referendo sobre a adesão do país ao euro. Em seu discurso de Ano Novo, o primeiro-ministro da Inglaterra, Tony Blair, afirmou que "é do nosso interesse que o euro tenha sucesso".
Blair já se manifestou por uma maior integração com o continente europeu. Os britânicos decidiram que só vão aderir se a moeda passar por um "teste" que inclui, entre outros pontos, verificar se ela é boa para o emprego e para o investimento estrangeiro.
Com agências internacionais
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