Dinheiro
31/12/2001 - 09h05

Falta de troco deve marcar a estréia do euro

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da Folha de S.Paulo, em Paris

Pouco antes da meia-noite de amanhã, o gerente do Café de Flore, um dos mais famosos e caros de Paris, vai se aproximar do caixa e trocar as informações do aparelho que imprime as notas para os clientes. Monsieur Barruyer Nicolas substituirá por euros a fatura em francos, que nunca mais será utilizada.

A partir da 0h de 1º de janeiro, um café no Flore deixará de custar 26 francos e passará a 4 euros (cerca de R$ 8,20). Em geral, um expresso nos cafés de Paris custa 12 francos. Seu preço será em média de 1,83 euro (R$ 3,75). O preço do café será uma das formas mais simples de comparação entre a velha e a nova moeda, na França, junto com a baguete. O célebre pão custa hoje em média 2,93 francos e passará a 0,73 euro (R$ 0,35).

"É apenas uma troca de moeda, não haverá complicações", diz o gerente do Flore à Folha. De qualquer modo, o estabelecimento vai orientar os garçons para que incentivem os clientes a pagarem as despesas com cartão eletrônico ou cheque. Ele também está pensando na quantidade de euros de que dispõe para o troco. "O banco nos forneceu apenas a metade do que precisávamos."

Todo o comércio dos países da zona euro, a partir de 1º de janeiro, deverá dar o troco obrigatoriamente na nova moeda, mesmo que receba do cliente no dinheiro antigo. O processo de conversão pode levar ao congestionamento dos caixas e à criação de imensas filas nos estabelecimentos, sobretudo os menores, que têm preocupado mais os órgãos públicos.

Problema com o troco é também um dos principais temores de Juan Ludo, dono de uma movimentada banca de revistas perto do Café de Flore, no elegante bairro de Saint-Germain-des-Près. "Consegui trocar no banco menos da metade do que precisava", conta Ludo. "Vai faltar troco, sobretudo em notas."

Ele vai abrir a banca na manhã do dia 1º. "O tempo gasto para dar o troco vai ser um problema grave. Se eu receber em francos, terei que fazer a conversão. As pessoas vão demorar para conferir, com medo de estar errado", explica.

David Vincent, gerente do Banco Fortis na agência da rua do Louvre, prevê que no dia 2 de janeiro os comerciantes podem não ter euros suficientes para os negócios. "Os comerciantes compraram menos notas e mais moedas. Temo que vão precisar mais no dia 2 e farão uma corrida aos bancos. Deve haver um movimento duas vezes maior de dinheiro com a passagem para o euro, o que vai gerar também problemas com segurança", diz.

Os museus e monumentos históricos também estão se preparando para o euro. O Museu do Louvre terá 69 caixas nos primeiros dias, para facilitar a compra de tickets de entrada e evitar as filas. "Recrutamos também sete pessoas para coordenarem a mudança no museu e que ficarão em contato com o público", explica Patricia Mounier, do serviço de comunicação do museu. O preço do ingresso passará a 7,50 euros.

Na Torre Eiffel, um caixa para troca de francos em euros estará disponível no subsolo e uma equipe de jovens vai distribuir folhetos sobre a nova moeda e orientar os turistas. Para chegar até o topo da torre, um adulto pagará 9,90 euros. (ALCINO LEITE NETO)

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