São Paulo descarta tentar nova venda da Cesp neste ano
TONI SCIARRETTA
AGNALDO BRITO
CATIA SEABRA
da Folha de S.Paulo
Com o fracasso do leilão da Cesp, o governo paulista agora analisa como se desfazer das ações da geradora. A expectativa é que, dentro de um mês, tenha em mãos um estudo sobre as possibilidades de venda.
Uma delas seria vender na Bolsa as ações que excedem ao controle do governo na empresa, o que poderia levantar entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões, segundo cálculos dos coordenadores do leilão.
A operação funciona como as recentes vendas de ações do Banco do Brasil, feitas pelo Tesouro Nacional e pela BNDESPar. Há dúvidas sobre os valores levantados com a venda em Bolsa, em que as ações costumam sair pelo preço de mercado, mas o governo paulista sustenta que poderia conseguir um prêmio. Ontem, os papéis PN recuaram 21% e fecharam em R$ 30,61, patamar anterior ao anúncio da privatização. O preço mínimo fixado pelo governo paulista com base em avaliações de bancos era 58% maior, de R$ 49,75. Segundo a Folha apurou, o governo paulista poderia obter cerca de R$ 2 bilhões com uma oferta pública desse tipo.
De qualquer forma, o governo paulista não considera mais a opção de vender o controle da Cesp ainda neste ano, o que deve atrasar os planos de eventuais interessados em comandar a terceira maior geradora do país, responsável pela geração de quase 10% da energia elétrica consumida no território nacional.
De menor custo político, uma das possibilidades seria o governo paulista manter o valor nominal por ação de R$ 49,75, mas permitir um parcelamento anual em três ou quatro vezes. O parcelamento, embutindo juros de 8% ao ano (estimativa conservadora), traria as ações ao valor presente para R$ 46 e para R$ 43, respectivamente, para três e quatro anos.
O governo paulista poderia adiantar os valores recebidos por meio de uma operação financeira de recebíveis. É desconhecido, porém, o impacto do benefício fiscal que a amortização de ágio teria em três ou quatro anos para o novo dono da Cesp com as mudanças na lei contábil. A Secretaria da Fazenda descartou ontem fazer qualquer parcelamento.
Ontem de manhã, antes do prazo final para os grupos interessados apresentarem as garantias, também foi comentada a possibilidade de dividir novamente a Cesp, levando a leilão apenas usinas que não teriam problemas de concessão, como a de Porto Primavera, que teve a licença renovada por mais 20 anos. O governo estadual afirma que analisa todas as possibilidades. O problema nessa opção, porém, está no tempo que isso possa levar.
Entre todas as opções, a mais remota é a que considera uma nova tentativa de vender a Cesp pelo atual modelo de privatização paulista e pelo modelo regulatório vigente hoje para o setor elétrico brasileiro. Para um dos envolvidos na formação de um consórcio, o governo federal precisa rever a situação das concessões da Cesp e demais estatais espalhadas pelo país. Na opinião dele, com o atual modelo, 'não há nenhuma possibilidade' de venda do controle da Cesp. As concessões só podem ser renovadas uma vez. Ilha Solteira e Jupiá já haviam tido prorrogação.
Leia mais
- Governo Federal estimulou investidores no leilão da Cesp, diz Lobão
- Para EPE, renovação de concessões de usinas dependem de tarifa mais baixa
- Confiança em renovação de concessões afetou leilão da Cesp, diz Eletrobrás
- Sem concorrentes, leilão da Cesp fracassa
- Livros ajudam executivos a expandir negócios e melhorar qualidade de vida
- Conheça fontes de energia renovável, como biocombustíveis, em livro da série "Mais Ciência"
Especial

