31/12/2001
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09h35
Na Itália e na Espanha, a introdução do euro foi um pretexto para que pessoas físicas e empresas esquentassem o dinheiro mantido longe dos olhos do fisco.
O caso italiano foi o mais hilário. A aprovação de um projeto encaminhado ao Parlamento pelo governo Berlusconi permitiu que a partir de novembro pudessem ser repatriadas, sem pagar o devido IR, quantias depositadas ilegalmente no exterior.
A previsão do governo era a de que 80 trilhões de liras (R$ 86 bilhões de reais) voltariam legalmente à Itália. Mas as estimativas foram refeitas e devem ser repatriados o equivalente a R$ 208 bilhões, quase um décimo do PIB.
Essa volta maciça de dinheiro de caixa dois obedece a um ritual que a oposição acredita premiar a sonegação. O repatriamento é feito por uma instituição financeira, e o titular da operação não precisa se identificar no fisco.
Ele pagará um imposto de apenas 2,5% sobre o capital repatriado, obrigação da qual escapará caso subscreva com o dinheiro Obrigações do Tesouro Italiano.
Na Espanha, as coisas se passaram de uma forma mais sutil e informal. Para esquentar o caixa dois, particulares e empresas partiram para a compra desenfreada de produtos de luxo. Em outubro último, segundo o jornal francês "Libération", foram matriculados 41% carros BMW a mais, 67% Ferrari a mais e 48% Porsche a mais. O mercado imobiliário também está superaquecido.
Saiba tudo sobre o euro
Troca pelo euro faz caixa dois deixar esconderijo
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da Folha de S.PauloNa Itália e na Espanha, a introdução do euro foi um pretexto para que pessoas físicas e empresas esquentassem o dinheiro mantido longe dos olhos do fisco.
O caso italiano foi o mais hilário. A aprovação de um projeto encaminhado ao Parlamento pelo governo Berlusconi permitiu que a partir de novembro pudessem ser repatriadas, sem pagar o devido IR, quantias depositadas ilegalmente no exterior.
A previsão do governo era a de que 80 trilhões de liras (R$ 86 bilhões de reais) voltariam legalmente à Itália. Mas as estimativas foram refeitas e devem ser repatriados o equivalente a R$ 208 bilhões, quase um décimo do PIB.
Essa volta maciça de dinheiro de caixa dois obedece a um ritual que a oposição acredita premiar a sonegação. O repatriamento é feito por uma instituição financeira, e o titular da operação não precisa se identificar no fisco.
Ele pagará um imposto de apenas 2,5% sobre o capital repatriado, obrigação da qual escapará caso subscreva com o dinheiro Obrigações do Tesouro Italiano.
Na Espanha, as coisas se passaram de uma forma mais sutil e informal. Para esquentar o caixa dois, particulares e empresas partiram para a compra desenfreada de produtos de luxo. Em outubro último, segundo o jornal francês "Libération", foram matriculados 41% carros BMW a mais, 67% Ferrari a mais e 48% Porsche a mais. O mercado imobiliário também está superaquecido.
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