Ações da BM&F e Bovespa continuam separadas até abril
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
A integração entre a Bovespa Holding e a BM&F, anunciada ontem à noite, tem entre seus objetivos agregar valor às empresas e aos acionistas, afirmou hoje Raymundo Magliano Filho, presidente da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo). A notícia fez a Bolsa paulista abrir em alta, com os papéis das empresas subindo, respectivamente, 10,26% e 9,28%.
"A sinergia será muito grande e estamos fazendo isso para agregar valor aos acionistas. As atuações das duas empresas são absolutamente complementares e não concorrem entre si. (...) Sem dúvidas, seremos um centro consolidador da América Latina", disse Magliano.
A fusão das Bolsas cria a terceira maior bolsa do mundo --atrás da Bolsa de Frankfurt (Alemanha) e da Chicago Mercantile (EUA)-- e a segunda maior Bolsa das Américas. "É um ato histórico [a integração das Bolsas]. O Brasil passa a ter uma Bolsa, em nível de tamanho e qualidade, tão competitiva como qualquer outra Bolsa do mundo", afirmou o presidente da BM&F, José Félix Cintra Neto.
Enquanto a fusão não for efetivada, as ações das duas empresas continuarão a ser negociadas na Bovespa, segundo Edemir Pinto, diretor geral da BM&F. A previsão de unificação das ações nas negociações do mercado financeiro está prevista para ocorrer no final de abril, com a realização da assembléia de acionistas das duas Bolsas para apreciação do processo.
A parceria entre Bovespa e BM&F deverá resultar em economia de 25% das despesas operacionais até 2010. Atualmente, por ano, as duas empresas somam R$ 500 milhões em gastos e prevêem ter uma economia de R$ 100 milhões por ano, em média.
"Não nos inspiramos em média anunciadas por outras Bolsas em outros processos de fusão no mundo. São situações diferentes. No nosso caso, a sinergia leva em consideração o fato de que têm mercados diferentes e dinâmicas diferentes. Vamos economizar na eficiência da infra-estrutura e na dinâmica de crescimento de investimento e ase instalada", explicou Gilberto Mifano, diretor-geral da Bovespa Holding.
Para ele, a fusão também vai permitir a compensação de resultados dos mercados. "São mercados que podem se complementar em resultados ao longo do tempo de acordo com a dinâmica de cada um. Quando um se deprime, o outro acelera", disse.
Segundo o valor de mercado de ontem, as duas empresas somam R$ 31 bilhões. Conforme Cintra, o valor resultante da integração será definido pelo mercado.
"O Brasil sempre foi visto como um país agrícola. Estamos mudando essa visão para que seja reconhecido como referência no mercado financeiro e de capitais", disse o presidente da BM&F.
O nome escolhido por conta da fusão, Nova Bolsa, ainda é provisório, segundo Mifano, e as marcas Bovespa e BM&F continuarão existindo, "representando os mercados reunidos em baixo da nova empresa".
O prazo estipulado para a definição do comando na nova empresa é de 60 dias, com número de representantes iguais de cada uma. Além disso, foi definido que os acionistas da Bovespa Holding receberão um adicional em dinheiro de R$ 1,24 bilhão.
O negócio ainda está sujeito à autorização da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), bem como à do BC (Banco Central) e do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
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