Dinheiro
26/03/2008 - 14h12

Fusão dá fôlego aos papéis de Bovespa e BM&F, dizem analistas

YGOR SALLES
da Folha Online

Mais do que se tornarem atraentes aos investidores após o anúncio da fusão, as ações da Bovespa Holding e da BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) conseguem dar confiança ao mercado de que se tratam de bons papéis, disseram analistas do setor.

Depois de estréias em Bolsa retumbantes no final do ano passado, as ações das duas empresas passaram a cair. Até ontem, os papéis da Bovespa Holding eram negociadas no mesmo nível do preço inicial definido em seu IPO (oferta inicial de ações), enquanto que a da BM&F ficava abaixo.

"No caso da Bovespa, havia um mix de fundamentos menos sólidos com a redução do fluxo de negociação em 2008 na comparação com 2007 que fazia a ação derrapar", disse Eduardo Roche, gerente de análise da Modal Asset Management. "Com a fusão, isso se reverte. Obviamente, juntas elas valerão mais do que separadas."

Para Kelly Trentin, analista da SLW Corretora, a fusão foi um movimento defensivo. "Haveria um certo canibalismo entre elas, com o oferecimento de produtos e serviços semelhantes. Com a fusão, isso não ocorrerá mais e ainda trará sinergias", explica. "Além disso, se torna ainda mais forte para lidar com o cenário de consolidação das Bolsas mundiais."

Segundo ela, os dois papéis foram prejudicados, antes da fusão, por diversos fatores. "Ela saiu com um preço inicial muito alto, e perdeu muito valor com a recente saída dos investidores estrangeiros no país. O esfriamento do volume de negociações também atrapalha, porque a receita de ambas vêm exatamente desse volume", disse.

Não está descartada a possibilidade da Nova Bolsa --a companhia que será criada com a fusão-- também partir para aquisições. "É possível que ocorra", disse Kelly.

Para o professor de mercado financeiro da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite, há também a vantagem da fusão jogar holofotes ao mercado nacional --atraindo assim mais investidores e alavancando as receitas. "Uma nova bolsa forte dá maior visibilidade ao mercado financeiro nacional e expõe as empresas nela cotadas aos investidores internacionais", disse.

Para Kelly, esse movimento vai ficar mais evidente quando o Brasil obtiver o grau de investimento --chancela de bom pagador dado pelas agências de classificação de risco. "A Nova Bolsa tenderá a crescer mais quando isso ocorrer", disse.

A julgar pelo desempenho dos papéis hoje, os investidores entenderam bem o recado. As ações da Bovespa Holding avançava 6,11% por volta das 14h10, enquanto que as da BM&F ganhavam 3,63%.

O ganho da Bovespa Holding é maior porque os acionistas da empresa ganharão um prêmio na fusão, já que ela vale mais no mercado do que a BM&F.

 

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