Dinheiro
01/01/2002 - 09h45

Controle da inflação é o desafio do euro

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ALCINO LEITE NETO
da Folha de S. Paulo

As primeiras notas e moedas de euro estão circulando desde a 0h de hoje em 12 países europeus e em breve passarão pelas mãos de mais de 300 milhões de pessoas. Foram fabricadas cerca de 15 bilhões de notas e 50 bilhões de moedas nos últimos meses.

Uma das preocupações agora dos países da zona euro é controlar a inflação que pode advir dos arredondamentos de preços no varejo.

"Temos informações que asseguram que os comerciantes utilizaram o câmbio em euro para subir os preços", afirmou Ernst Welteke, membro do Conselho de Governo do Banco Central Europeu e presidente do Bundesbank, o banco central alemão.

A regra oficial prevê que o arredondamento para mais da terceira cifra a partir da vírgula deve ser feito apenas se os valores forem iguais ou superiores a 5.

Assim, se um produto custa 150 francos, na conversão ele chega a 22,867353, ou seja, 22,87. Nem mais nem menos. O ajuste do preço para 23 representa aumento de 0,5% no valor do produto.

O ministro da Economia espanhol, Rodrigo Rato, admitiu, no jornal "El País", que o impacto do euro na inflação poderá ser de 0,2% a 0,4%. Segundo Welteke, o Banco Central Europeu ainda não "detectou" dados inflacionários. Os governos estão solicitando a vigilância dos consumidores para impedir os aumentos.

Mudança de hábito
A nova moeda também vai modificar vários dos hábitos com o dinheiro nos países que participam da zona euro -Portugal, Espanha, França, Luxemburgo, Bélgica, Holanda, Irlanda, Finlândia, Alemanha, Áustria, Itália e Grécia.

Na Itália, a chegada do euro representa o fim das longas cifras da lira, contadas em milhares. A nova nota de 5 equivale a 9.681,35 liras. A passagem de metrô ou ônibus em Milão poderá ser paga em moeda: custará 1, ou seja, 1.936,27 liras.

Com isso, os italianos deverão voltar a aprender a lidar com as peças em metal. A indústria de couro já começou a produzir porta-moedas a todo vapor no país.

Na Alemanha, o problema é com as carteiras que guardavam os marcos e agora se mostram pequenas para abrigar as notas de euro. Os alemães utilizam o dinheiro em espécie com mais frequência do que os outros países.

A nota de 500 foi praticamente criada para eles. Ela tem 16 cm de largura por 8,2 cm de altura -sendo maior que a nota de mil marcos.

Em Portugal e na Espanha não serão fabricadas as notas de 500, as de valor mais alto, que, no entanto, serão aceitas normalmente nesses países. Na Holanda, não haverá a edição de moedas de 0,01.

Nomes do euro
O nome da moeda também está gerando polêmicas. A Accademia della Crusca, na Itália, que decide há quatro séculos sobre a aceitação de neologismos, definiu que "euro" será palavra masculina e invariável. O plural "euri" será, porém, aceito.

Na Alemanha, o euro será masculino ("der Euro") e invariável no plural ("die Euro"), como os centavos, que serão denominados "cent" (sem "s"). Os franceses evitarão a designação "cents" para a subdivisão, por sua semelhança com a pronúncia da cifra cem ("cent"), e adotarão "centimes".

Na Espanha e em Portugal, o plural será feito como "euros" e os centavos se chamarão "céntimos" e "cêntimos", respectivamente.

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Com agências internacionais


 

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