Dinheiro
27/03/2008 - 19h15

Mantega descarta inflação fora da meta do governo em 2008 e 2009

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DEISE OLIVEIRA
da Folha Online

O ministro Guido Mantega (Fazenda) descartou ontem possibilidade de pressão inflacionária e afirmou que o índice ficará dentro da meta estipulada pelo governo. O ministro afirmou ainda ser "totalmente sustentável" que a economia cresça entre 5% e 5,5% até 2010.

O comentário do ministro foi feito depois da divulgação pelo Banco Central de relatório que revisou para cima a estimativa de inflação para este ano de 4,3% para 4,6%. A meta do governo é um IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais. O BC também estima que a expansão da economia brasileira seja de 4,8%, ante os 4,5% previstos em dezembro.

"O Relatório de Inflação do Banco Central disse que em 2008 a inflação ficará dentro do centro da meta e em 2009 também. Portanto, não temos pressões inflacionárias neste momento. Mas tivemos alguma elevação por conta de preço de alimentos, principalmente no ano passado, mas não a ponto de tirar a inflação do centro da meta. Em 2008, com a nova safra, os preços devem cair. Portanto, eu acredito que não há preocupação inflacionária em 2008", afirmou.

Mantega também descartou ameaças aos preços em 2009 e disse que a relação entre a oferta e a demanda estão equilibradas no país. "E também não estou preocupado com a inflação em 2009. O Brasil tem grande capacidade para ampliar a oferta agrícola e podemos fazê-lo. Já teremos resultados disso nos próximos meses. Hoje, não há problema de falta de oferta no país. A demanda e a oferta estão equilibradas. É isso o que eu estou verificando com cada um dos setores."

Mantega, que se reuniu ontem em São Paulo com representantes da indústria automotiva, citou o caso das montadoras que se comprometeram em investir US$ 5 bilhões neste ano e, com isso, ampliar a capacidade de produção de 3,5 milhões para 3,8 milhões de veículos por ano. Até 2010, as indústrias automotiva e de autopeças prevêem investimento de US$ 20 bilhões.

"A indústria se prepara para sustentar o crescimento da demanda, fiquei muito satisfeito, porque não são intenções, mas investimentos que já estão ocorrendo", disse Mantega.

Em relação à expansão do crédito, que deu origem a um desmentido de Mantega, nessa semana, sobre a possibilidade de o governo tomar medidas para contê-la, o ministro afirmou já ter ouvido, anteontem dos bancos, que o crédito a longo prazo (de até 90 meses) é residual. "A maioria é em torno de 40 meses e concedido de forma mais sólida que em outros países. Os bancos são menos alavancados no Brasil que lá fora, ou seja, têm capital maior em relação ao crédito que destinam e são muito muito prudentes na liberação do crédito. (...) O grosso do crédito é absolutamente sólido, não há porque temer", afirmou.

Jackson Schneider, presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) afirmou que atualmente, o maior desafio da indústria são as exportações, que perderam espaço em volume desde 2006 e deve registrar novo desempenho negativo neste ano.

"É preciso uma análise mais cuidadosa da política tributária para exportações", reclamou. Segundo Mantega, medidas neste sentido deverão ser contempladas na política industrial a ser apresentada pelo governo em breve.

Sobre o aumento do preço do ferro no mercado internacional, Schneider disse que o cenário é de aumento de preço das commodities, mas preferiu não fazer um prognóstico sobre o impacto no mercado final. No entanto, ponderou: "Pressão de custo é pressão sobre preço", disse.

 

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